Grécia Antiga
Conjunto de cidades-estado independentes espalhadas pelo Egeu e por assentamentos de todo o Mediterrâneo, unidas por língua, cultos e escrita comuns, mas raramente por um governo…
Comparação montada a partir do acervo. As duas fichas seguem a mesma pauta de 21 características, preenchidas e revisadas separadamente.
Conjunto de cidades-estado independentes espalhadas pelo Egeu e por assentamentos de todo o Mediterrâneo, unidas por língua, cultos e escrita comuns, mas raramente por um governo…
Conjunto de cidades-estado da baixa Mesopotâmia que organizou a agricultura de canais, fez do templo um centro econômico e criou, a partir do registro contábil, a escrita…
Grécia: Europa
Suméria: Ásia
Classificações distintasGrécia: Primeiro milênio a.C.
Suméria: Quarto e terceiro milênios a.C.
Classificações distintasGrécia: Cidades-estado autônomas
Suméria: Cidades-estado autônomas
Classificações próximasGrécia: cerca de 130.000 km²
Suméria: cerca de 40.000 km²
Classificações distintasOs dois recortes não se sobrepõem: há um intervalo aproximado de 950 anos entre o fim de um e o início do outro.
Recortes separadosc. 800 a.C. a 146 a.C., do período arcaico ao fim do helenístico
A convenção historiográfica divide o período em arcaico, a partir de cerca de 800 a.C., clássico, entre as guerras persas e a morte de Alexandre em 323 a.C., e helenístico, encerrado ao longo dos séculos II e I a.C. O marco inicial é aproximado e apoia-se na retomada do uso da escrita, no crescimento demográfico e na formação das primeiras poleis, processos que não avançaram no mesmo ritmo em todas as regiões. O ano de 146 a.C., adotado aqui como fecho, corresponde à derrota da Liga Aqueia e à submissão do continente a Roma, e não ao desaparecimento das instituições cívicas locais.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.c. 4000 a.C. a 1750 a.C., do período de Uruk a Isin e Larsa
A sequência suméria é dividida em período de Uruk, Jemdet Nasr, Dinástico Arcaico, império de Acade, Terceiro Período de Ur e a fase de Isin e Larsa, encerrada por volta de 1750 a.C. com a ascensão da Babilônia. As datas do quarto e do terceiro milênios trabalham com margens de várias décadas, e para o Dinástico Arcaico convivem cronologias alta, média e baixa, com diferenças que chegam a mais de um século. A Lista Real Suméria, que atribui reinados de milhares de anos aos primeiros reis, é documento de legitimação e não registro cronológico utilizável.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Sul da península balcânica, ilhas do Egeu e costa da Ásia Menor
O núcleo do mundo grego abrangia a porção meridional da península balcânica, as ilhas do mar Egeu e a faixa litorânea ocidental da Ásia Menor, região conhecida como Jônia. O relevo montanhoso e o recorte do litoral em vales e enseadas acompanharam a existência de comunidades políticas pequenas e autônomas, mas essa correspondência não deve ser lida como causa suficiente: vizinhas em terreno semelhante formaram ligas e federações em vários momentos. Desde o século VIII a.C., assentamentos de população grega estenderam-se do mar Negro ao sul da Itália, à Sicília, ao litoral do sul da França e a pontos da Península Ibérica.
Baixa planície do Tigre e do Eufrates, no sul do atual Iraque
As cidades sumérias ocupavam a planície aluvial do sul da Mesopotâmia, entre o curso inferior do Tigre e do Eufrates e as marismas próximas ao golfo Pérsico. Era uma terra sem pedra de construção, sem madeira de porte e sem minério, o que fez do barro o material básico de casas, templos e tabuletas, e do intercâmbio uma necessidade permanente. A linha de costa avançou com o depósito de sedimentos: Eridu e Ur, hoje distantes do mar, estiveram próximas de lagunas e de canais navegáveis.
Cerca de 130 mil km² no núcleo egeu, sem estado unificado
A cifra de aproximadamente 130 mil quilômetros quadrados descreve o núcleo continental e insular do Egeu, e não um território administrado por um poder único. As poleis eram estados independentes, cada uma com território próprio que raramente passava de algumas centenas ou poucos milhares de quilômetros quadrados, e o espaço grego resultava da soma dessas unidades. Incluídos os assentamentos coloniais, a dispersão vai do mar Negro à Península Ibérica, o que torna qualquer número de área uma escolha de recorte, e não uma medida de soberania.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Cerca de 40 mil km² de núcleo aluvial, sem estado unificado
A cifra de aproximadamente 40 mil quilômetros quadrados descreve a faixa aluvial em que se distribuíam as cidades sumérias, e não o território de um estado único: por quase todo o terceiro milênio Sumer foi um mosaico de cidades autônomas, cada uma controlando sua área murada, aldeias dependentes e trechos de canal. Somente sob Acade e sob o Terceiro Período de Ur essa área passou a ser administrada de forma centralizada, e mesmo então com limites variáveis. As estimativas de superfície efetivamente irrigada divergem, e comparações com estados territoriais precisam considerar essa diferença de escala política.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Atenas, Esparta, Corinto, Tebas, Mileto e a siciliana Siracusa
Atenas concentrou a maior população do mundo egeu, com estimativas entre 200 e 300 mil habitantes na Ática do século V a.C., contando pessoas escravizadas e residentes estrangeiros. Esparta organizava-se como um conjunto de aldeias sem muralhas, Corinto controlava o istmo e o tráfego entre dois mares, Tebas liderava a confederação beócia e Mileto foi um dos polos mais ativos da costa jônica. Fora do Egeu, Siracusa, estabelecida por colonos vindos de Corinto na Sicília, alcançou escala comparável à das maiores cidades continentais.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Uruk, Ur, Lagash, Nipur e Eridu, cada uma com seu deus tutelar
Uruk, com cerca de 250 hectares intramuros no fim do quarto milênio, é o maior aglomerado conhecido do período e reunia os santuários de An e de Inana. Ur controlava o acesso fluvial ao golfo e sediou, no século XXI a.C., a administração de um estado regional, enquanto Lagash, com centro cerimonial em Girsu, deixou o mais extenso arquivo econômico do Dinástico Arcaico. Nipur, sede de Enlil, funcionava como centro religioso comum cuja adesão legitimava reis, e Eridu era tida na tradição local como a cidade mais antiga; as estimativas de população desses sítios variam de poucos milhares a algumas dezenas de milhares, conforme a densidade adotada.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Poleis autônomas, democracia em Atenas e realeza dupla em Esparta
A unidade política básica era a polis, comunidade de cidadãos formada muitas vezes por sinecismo, a reunião de aldeias em torno de um centro urbano e de cultos comuns. Os regimes variavam entre oligarquias de proprietários, tiranias, realezas e democracias, e a mesma cidade podia trocar de arranjo várias vezes em uma geração. Em Atenas, a partir das reformas do fim do século VI a.C., a assembleia de cidadãos decidia leis e guerra e a maioria dos cargos era preenchida por sorteio; o corpo cívico excluía mulheres, estrangeiros residentes e pessoas escravizadas, de modo que a participação alcançava uma fração minoritária dos habitantes. Esparta combinava dois reis simultâneos, um conselho de anciãos e uma assembleia de poder limitado.
Cidades-estado dirigidas por ensi e lugal, com conselhos e assembleias
Cada cidade era dirigida por um governante que aparece nos textos como ensi, título ligado à administração das terras do deus da cidade, ou como lugal, literalmente homem grande, de conotação militar e territorial mais ampla. Documentos administrativos e narrativas mencionam conselhos de ancião e assembleias de homens armados consultados em decisões de guerra, o que indica poder pessoal limitado por corpos coletivos. Hegemonias temporárias, como a de Lugalzagesi de Umma e a de Sargão de Acade, submeteram várias cidades ao mesmo tempo sem eliminar as instituições locais.
Cidadãos, metecos e pessoas escravizadas, com hilotas em Esparta
O corpo social das poleis distinguia cidadãos com direitos políticos, estrangeiros residentes — os metecos, que pagavam tributo e não votavam — e pessoas escravizadas, empregadas em casas, oficinas, campos e minas. As mulheres de famílias cidadãs transmitiam a condição cívica aos filhos e participavam de cultos e festivais, mas não votavam nem exerciam magistraturas. Em Esparta o arranjo era outro: os espartíatas viviam da produção dos hilotas, população submetida coletivamente e vinculada à terra, enquanto os periecos ocupavam posição intermediária, com autonomia local e sem direitos políticos plenos.
Casas de templo e palácio, famílias com terra, dependentes e cativos
Os arquivos distinguem os grandes domínios do templo e do palácio, com pessoal dependente que recebia rações ou lotes de terra em troca de trabalho, das famílias que possuíam suas próprias parcelas. Escribas, sacerdotes, administradores e artesãos especializados formavam camadas intermediárias vinculadas a essas instituições, e listas de rações permitem observar diferenças de tratamento entre categorias de trabalhadores. Havia pessoas escravizadas, em número reduzido diante do total e originadas sobretudo de guerra e de dívida; a remissão de débitos decretada por reis mostra que o endividamento rural era problema recorrente.
Falange de hoplitas, frota de trirremes e falange macedônica
O combate terrestre apoiava-se na falange de hoplitas, cidadãos que custeavam o próprio equipamento de escudo redondo, lança, elmo e couraça e lutavam em formação cerrada, o que vinculava a função militar à posse de bens. Atenas desenvolveu poder naval a partir de 480 a.C., com uma frota que chegou a algumas centenas de trirremes, tripuladas em boa parte por cidadãos de menor renda. Esparta submetia os filhos de cidadãos a treinamento coletivo prolongado e mantinha uma infantaria de reputação elevada. No século IV a.C., Filipe II reorganizou o exército macedônio em torno da sarissa, lança de cerca de cinco metros, combinada a cavalaria de choque e a máquinas de cerco.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Lanceiros em formação cerrada e veículos de quatro rodas com asnos
Representações como a Estela dos Abutres, de Eanatum de Lagash, e o painel conhecido como Estandarte de Ur mostram infantaria em formação cerrada, com lanças, escudos retangulares, capacetes de cobre e veículos de quatro rodas tracionados por asnos. As forças eram recrutadas na população urbana e entre os dependentes das instituições, mobilizadas para disputas de fronteira e de água mais do que para conquista distante. Os números que as inscrições reais oferecem têm função comemorativa e admitem apenas ordens de grandeza; sob o Terceiro Período de Ur há indícios de contingentes permanentes e de guarnições em pontos de fronteira.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Propriedades modestas, oficinas urbanas, prata de Láurio e moeda
A base econômica combinava propriedades agrícolas de porte modesto, oficinas urbanas de cerâmica, metal e tecido, e um setor de trocas marítimas de longa distância. A cunhagem em prata e eletro difundiu-se a partir do século VI a.C., e cada cidade emitia peças próprias, o que exigia cambistas e criou padrões de peso concorrentes. As minas de prata de Láurio, exploradas com trabalho escravizado em condições severas, financiaram a frota ateniense, e o tributo dos aliados da Liga de Delos passou a cobrir parte das despesas públicas de Atenas no século V a.C.
Contabilidade de templo e palácio, com cevada e prata como padrão
A economia suméria foi registrada em escala minuciosa: tabuletas anotam entregas de cevada, lã, peixe, tâmara e óleo, rações de trabalhadores, rebanhos e a produção de oficinas de tecelagem que ocupavam centenas de pessoas. Cevada e prata funcionavam como unidades de conta e meios de pagamento, com equivalências fixadas em textos administrativos e jurídicos, muito antes da existência de moeda cunhada. Templo e palácio não absorviam tudo: contratos de venda de campos, empréstimos e sociedades comerciais indicam iniciativa familiar operando ao lado das grandes casas.
Cereal, oliveira e videira em solos rasos e chuva de inverno
O calendário agrícola girava em torno da cevada e do trigo semeados no outono, da azeitona colhida no fim do ano e da uva vindimada no verão, complementados por leguminosas, figo e criação de cabras e ovelhas. Solos rasos e chuvas irregulares produziam colheitas instáveis, e várias cidades dependiam de cereal importado, caso de Atenas, abastecida por grão do mar Negro e do Egito. Azeite e vinho, ao contrário, formavam excedente exportável, transportado em ânforas cujos tipos permitem hoje reconstituir rotas e volumes de troca.
Irrigação por canais, cevada tolerante a sal e arado de tração animal
Com chuva insuficiente, o cultivo dependia inteiramente de canais derivados do Eufrates, com diques, comportas e bacias que exigiam manutenção coletiva e provocavam disputas por água entre cidades vizinhas, como o litígio prolongado entre Lagash e Umma. A cevada predominou sobre o trigo por tolerar melhor a salinidade do solo, agravada pela irrigação contínua e pela evaporação intensa. Arados de tração animal, semeadeiras e textos de instrução agrícola, entre eles o chamado almanaque do lavrador, registram práticas de aração, sulco e rega em sequência calculada.
Cabotagem em ânforas, entrepostos e empréstimos marítimos
O transporte de cabotagem, praticado sobretudo entre a primavera e o outono, movia cereal, azeite, vinho, cerâmica, madeira, metais e pessoas escravizadas entre portos do Egeu, do mar Negro, do Levante, do norte da África e do Ocidente. Entrepostos como Náucratis, no delta do Nilo, e Emporion, na costa ibérica, punham mercadores gregos em contato regular com egípcios, fenícios, etruscos e populações locais. Empréstimos marítimos de juro alto e com cláusulas de risco, documentados em discursos judiciais atenienses, financiavam viagens e distribuíam perdas entre credores.
Cobre, madeira e lápis-lazúli obtidos via Dilmun, Magã e Zagros
A ausência de matérias-primas locais tornou o intercâmbio de longa distância estruturante: cobre de Magã, na região de Omã, madeira e pedra dos montes Zagros, estanho e lápis-lazúli trazidos de muito longe por rotas intermediárias, e mercadorias que passavam por Dilmun, o atual Barein. Em troca saíam tecidos de lã, óleo e cereais, resultado do excedente das oficinas urbanas. Selos, pesos e contas encontrados dos dois lados atestam contato com Meluhá, identificada pela maior parte dos pesquisadores com a região do vale do Indo.
Alfabeto derivado do fenício, com sinais próprios para vogais
Por volta do século VIII a.C., comunidades gregas adaptaram o alfabeto consonantal fenício e reaproveitaram sinais sem correspondência sonora no grego para notar vogais, resultando em um sistema de cerca de vinte e quatro letras. Variantes locais circularam por décadas até a adoção do padrão jônico em Atenas, em 403 a.C. A escrita aparece em vasos, inscrições públicas em pedra, listas de magistrados e tabuinhas de maldição, e o suporte usual para textos longos era o rolo de papiro importado do Egito. Um sistema silábico anterior, o linear B, registrara uma forma arcaica de grego nos palácios micênicos e deixou de ser usado com o colapso desses centros.
Cuneiforme nascido do registro contábil, em argila e cálamo de junco
As tabuletas mais antigas de Uruk, de cerca de 3300 a.C., não trazem literatura nem decretos, mas listas de bens, quantidades e responsáveis: a escrita nasceu como técnica de controle administrativo, herdeira de fichas de argila e de selos usados antes dela. Os sinais, de início pictográficos, passaram a ser traçados em cunhas com cálamo de junco sobre argila úmida, perdendo semelhança com os objetos representados e ganhando valores silábicos. O sumério, língua sem parentesco conhecido, continuou a ser copiado nas escolas por escribas de língua acádia durante séculos depois de deixar de ser falado.
Politeísmo cívico, santuários pan-helênicos e cultos de mistério
Cada cidade mantinha cultos próprios a divindades de um panteão comum — Zeus, Atena, Apolo, Deméter e Dioniso, entre outras —, com calendário de festivais, sacrifícios e procissões custeados por recursos públicos e por cidadãos ricos. Santuários frequentados por todo o mundo grego, como Olímpia, Delfos e Delos, reuniam competições, oráculos e oferendas de cidades rivais, funcionando como espaço de contato entre comunidades em conflito. Ao lado do culto cívico havia iniciações de acesso restrito, como os mistérios de Elêusis, e práticas domésticas e funerárias que raramente aparecem nos textos literários.
Deuses de cidade, com Enlil em Nipur, Inana em Uruk e Enki em Eridu
Cada cidade tinha um deus tutelar cuja casa era o templo principal e cujo patrimônio de terras e rebanhos sustentava boa parte da economia urbana: An e Inana em Uruk, Enlil em Nipur, Nanna em Ur, Enki em Eridu, Ningirsu em Girsu. O culto consistia em alimentar, vestir e conduzir a estátua divina em festas de calendário, tarefas a cargo de pessoal especializado e financiadas pelo domínio do santuário. A literatura religiosa preservada em cópias posteriores inclui hinos de templo, lamentos pela destruição de cidades e narrativas sobre o dilúvio e sobre a descida de Inana ao mundo dos mortos.
Escultura do arcaico ao helenístico, cerâmica figurada e cor perdida
A escultura passou dos kouroi e korai arcaicos, de postura frontal e simetria rígida, ao equilíbrio de peso e movimento do período clássico e, depois, à expressividade helenística, com obras conhecidas em larga medida por cópias romanas em mármore. A cerâmica ática, primeiro de figuras negras e depois de figuras vermelhas, oferece um repertório visual de mitos, banquetes, oficinas e cenas domésticas, além de assinaturas de oleiros e pintores. Estátuas e templos eram pintados em cores fortes, hoje quase totalmente perdidas, e a pintura de painel, muito elogiada na literatura antiga, sobreviveu apenas em descrições e ecos indiretos.
Estatuária votiva de olhos incrustados e glíptica de selo cilíndrico
A produção mais característica inclui estátuas votivas de orantes em gesso e calcário, com mãos unidas e olhos ampliados por incrustação de concha e betume, depositadas nos templos para representar o doador em oração permanente. O selo cilíndrico, rolado sobre argila, sustentou uma arte em miniatura de grande densidade narrativa, com cenas de banquete, combate animal e apresentação a divindades. Objetos das tumbas reais de Ur, como a lira com cabeça de touro e os painéis incrustados, mostram domínio da marchetaria em madrepérola, lápis-lazúli e ouro sobre betume.
Filosofia natural, geometria dedutiva, medicina hipocrática e astronomia
A partir do século VI a.C., pensadores jônicos passaram a explicar fenômenos naturais por causas internas ao próprio mundo, linha que se desdobrou em investigações sobre matéria, movimento e classificação dos seres vivos. Os Elementos de Euclides, compilados em Alexandria por volta de 300 a.C., organizaram a geometria como sistema dedutivo a partir de definições e postulados, formato que estruturou o ensino matemático por séculos. O conjunto de textos atribuído a Hipócrates deslocou a explicação da doença para dieta, ambiente e desequilíbrios do corpo; Eratóstenes calculou a circunferência da Terra pela medida de sombras e Hiparco reuniu um catálogo estelar e identificou a precessão dos equinócios.
Contagem sexagesimal, metrologia de área e listas lexicais escolares
Os escribas sumérios consolidaram uma contagem de base sessenta combinada a agrupamentos de dez, que permitia frações cômodas e se transmitiu à matemática mesopotâmica posterior. Havia unidades padronizadas de área, volume e peso aplicadas a campos, celeiros e metais, além de tabelas de conversão usadas na medição de terrenos e no cálculo de rações. Listas lexicais que organizavam palavras por tema, como árvores, animais, profissões e recipientes, funcionavam como material de ensino e como primeira forma de sistematização do conhecimento por categorias.
Templo peristilo em pedra e as ordens dórica, jônica e coríntia
O templo grego consolidou uma planta retangular com cela interna e colunata externa, executada em calcário revestido de estuque ou em mármore, com telhado de duas águas e frontões esculpidos. As três ordens organizavam proporções, capitéis e entablamentos, e o Partenon, erguido na Acrópole de Atenas entre 447 e 432 a.C., é o exemplo mais estudado do refinamento dórico, com ajustes ópticos como a leve curvatura do embasamento. Além dos templos, as cidades investiam em teatros escavados em encostas, estádios, ágoras porticadas e muralhas, e no século V a.C. difundiu-se o traçado urbano ortogonal associado a Hipódamo de Mileto.
Tijolo cru, terraço de templo e ziggurat escalonado de Ur
Sem pedra disponível na planície, a construção suméria apoiou-se no tijolo de barro moldado e secado ao sol, com tijolo cozido e betume nas partes expostas à água. Templos eram reconstruídos sucessivamente sobre as ruínas dos anteriores, prática que criou elevações artificiais e culminou, no Terceiro Período de Ur, no ziggurat: massa escalonada de tijolo com escadarias frontais e santuário no alto. As paredes recebiam nichos e contrafortes que produziam jogo de luz e sombra e, em Uruk, mosaicos formados por cones de argila colorida encaixados no reboco.
Trirreme, guindastes de canteiro e engrenagens de Anticítera
A trirreme, embarcação a remo em três níveis com esporão de bronze, exigia estaleiros, casas de navios e tripulações treinadas de cerca de duzentos homens, e sua manutenção estruturou boa parte das finanças navais atenienses. Nos canteiros de obra, guindastes com cabrestante e polias, pinças de içamento e blocos com encaixes metálicos permitiam levantar peças de mármore de muitas toneladas com equipes reduzidas. Testemunhos antigos atribuem a Arquimedes o estudo da alavanca e do parafuso hidráulico, e o mecanismo de Anticítera, recuperado de um naufrágio, demonstra o uso de engrenagens de precisão para calcular posições astronômicas.
Roda de oleiro e de carro, bronze estanhado e molde padronizado
As oficinas sumérias trabalhavam cobre e depois bronze estanhado por fundição e martelagem, produziam cerâmica em roda rápida e teciam lã em quantidade suficiente para abastecer o comércio de longa distância. A roda aparece em veículos de quatro rodas maciças representados em placas e em carros depositados nas tumbas de Ur, com uso sobretudo cerimonial e de carga. Barcos de junco calafetados com betume, arados de madeira, moldes padronizados de tijolo e comportas para regular o fluxo dos canais compõem o repertório técnico documentado por textos e achados.
Teatro de festival, historiografia crítica e procedimentos de assembleia
Entre as realizações mais documentadas estão a tragédia e a comédia encenadas em festivais cívicos, com peças de Ésquilo, Sófocles, Eurípides e Aristófanes preservadas em número reduzido diante do que se sabe ter existido. A narrativa histórica com discussão explícita de fontes, praticada por Heródoto e Tucídides, e a organização da geometria e da medicina em corpos sistemáticos de texto tiveram longa circulação posterior. No plano institucional, destacam-se os procedimentos de assembleia, o sorteio de cargos, a prestação de contas dos magistrados e o registro público de decisões em pedra.
Cidade murada, cuneiforme, rede de canais e as leis de Ur-Nammu
Entre os resultados duráveis estão a formação de grandes aglomerados murados com instituições próprias, a criação do cuneiforme e da escola de escribas, e a construção de redes de canais que sustentaram densidades altas de população em terra sem chuva. No campo normativo, as reformas atribuídas a Urukagina em Lagash e as leis de Ur-Nammu, com indenizações fixadas em prata para casos definidos, estão entre os textos jurídicos mais antigos conhecidos. As inscrições e as estátuas de diorito de Gudea de Lagash documentam um programa de construção de templos com detalhe raro para o terceiro milênio.
Desgaste bélico, hegemonia macedônica e anexação romana
A guerra do Peloponeso, entre 431 e 404 a.C., opôs por vinte e sete anos as alianças lideradas por Atenas e por Esparta, com epidemia na cidade sitiada, campanhas dispendiosas e mudanças de regime, e nenhuma cidade recuperou depois posição hegemônica estável. A vitória de Filipe II em Queroneia, em 338 a.C., submeteu as poleis à liderança macedônia, e a morte de Alexandre em 323 a.C. dividiu o território conquistado entre reinos governados por seus antigos oficiais. A intervenção romana nos conflitos entre esses reinos terminou com a derrota da Liga Aqueia e a destruição de Corinto em 146 a.C.
Queda de Ur diante dos elamitas e absorção por Isin, Larsa e Babilônia
O Terceiro Período de Ur ruiu por volta de 2004 a.C. sob pressão combinada de grupos amoritas, perda de controle sobre as províncias e um ataque elamita que levou o rei Ibi-Sin cativo, episódio lembrado em lamentos compostos mais tarde. As cidades do sul passaram ao domínio de Isin e de Larsa e, em 1763 a.C., à Babilônia de Hamurabi, num deslocamento do centro político para o norte da planície. A salinização de solos irrigados e a mudança de cursos fluviais contribuíram para o esvaziamento de sítios do extremo sul, embora o peso relativo desses fatores siga em discussão.
Transmissão de textos por Roma, tradutores árabes e cópias medievais
Depois da anexação, a língua e a literatura gregas seguiram em uso no Mediterrâneo oriental e foram estudadas por autores latinos, o que garantiu a transmissão de obras filosóficas, médicas e matemáticas. Entre os séculos VIII e X, tradutores em Bagdá verteram para o árabe tratados de Euclides, Ptolomeu, Galeno e Aristóteles, comentados e ampliados por autores de língua árabe e persa; cópias bizantinas e traduções latinas medievais completaram o percurso até as universidades europeias. Vocabulário técnico, ordens arquitetônicas e formas dramáticas de origem grega seguem em uso, resultado dessa cadeia de cópia e tradução, e não de continuidade direta.
Base da tradição escrita mesopotâmica e do currículo cuneiforme
O sumério permaneceu como língua de culto e de escola por mais de mil anos depois de deixar de ser falado, e seus hinos, provérbios e listas formaram o currículo em que se treinaram escribas babilônios e assírios. Estruturas criadas em Sumer, como a cidade com templo central, o arquivo administrativo, o direito posto por escrito e a contagem sexagesimal aplicada a tempo e a ângulo, foram transmitidas às sociedades seguintes da região. O reconhecimento dessa camada é recente: só na segunda metade do século XIX se admitiu a existência de uma língua anterior ao acádio, a partir de tabuletas bilíngues.
Esta combinação foi montada a partir das duas fichas e ainda não recebeu texto de contexto próprio. As comparações com introdução, contexto e considerações finais estão reunidas em comparações recomendadas.
Existe uma versão comentada deste par, na ordem inversa: Suméria e Grécia: cidades-estado em dois tempos.
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