Política editorial
Os critérios que orientam a escolha das civilizações, a redação das fichas, o tratamento das divergências acadêmicas e a linguagem usada nas comparações.
1. Finalidade
O acervo existe para permitir a leitura comparada de civilizações antigas com a mesma pauta de perguntas. Não é uma enciclopédia geral, não cobre eventos militares em detalhe e não trata de biografias. O foco está em estruturas: como cada sociedade organizou território, poder, trabalho, abastecimento, registro, crença e técnica.
2. Seleção de civilizações
Uma civilização entra no acervo quando reúne três condições:
- Documentação suficiente para preencher as 21 características sem recorrer a especulação.
- Relevância comparativa, isto é, presença recorrente na bibliografia de história antiga e nos currículos escolares brasileiros.
- Delimitação viável de recorte cronológico e territorial, mesmo que aproximada.
Sociedades com evidência muito fragmentada podem ser citadas dentro de outras fichas sem receber ficha própria, justamente para não criar um registro com metade dos campos vazios.
3. Estrutura fixa das fichas
Todas as fichas respondem às mesmas características, na mesma ordem: período histórico, localização, extensão territorial aproximada, principais cidades, forma de governo, organização social, economia, agricultura, comércio, sistema de escrita, religião, arquitetura, tecnologia, conhecimento científico, organização militar, arte, realizações, declínio, influência histórica e fontes, além do nome e dos nomes alternativos.
Essa rigidez é deliberada. Estruturas variáveis produzem comparações desequilibradas, em que uma sociedade parece “ter mais” apenas porque seu verbete foi escrito com mais campos.
4. Hierarquia de fontes
A ordem de preferência está detalhada em fontes e metodologia: relatórios arqueológicos, obras acadêmicas de referência, acervos de museus, documentação de patrimônio e fontes escritas antigas, nessa ordem. Dados factuais são conferidos em pelo menos duas referências independentes.
5. Tratamento de divergências
Quando especialistas discordam sobre uma data, uma extensão ou a natureza de uma instituição, a ficha registra a divergência. Não escolhemos a versão mais conveniente nem calculamos médias entre posições incompatíveis. Formulações como “estimativas variam entre X e Y” e “há debate sobre o grau de centralização” são preferíveis a uma falsa precisão.
6. Linguagem: o que evitamos
Não usamos, para descrever sociedades antigas:
- Escalas de progresso: “atrasada”, “primitiva”, “mais evoluída”, “superior”, “ainda não havia chegado a”.
- Rankings implícitos: “a maior civilização da Antiguidade”, “o povo mais inteligente do período”.
- Juízo moral retroativo: condenação ou elogio de práticas antigas com valores contemporâneos. Escravidão, sacrifício ritual, guerra de conquista e desigualdade jurídica são descritos com precisão factual e contexto institucional.
- Determinismo: afirmações de que uma geografia ou uma origem “explica” o destino de uma sociedade.
- Mistério artificial: tratamento de realizações técnicas antigas como enigmas inexplicáveis. Quando não se sabe como algo foi feito, dizemos exatamente isso e apresentamos as hipóteses em discussão.
7. Comparação não é competição
O comparador coloca duas fichas lado a lado e sinaliza onde as respostas se afastam. Essa sinalização é descritiva: indica “respostas distintas”, não “vantagem”. Nenhuma característica recebe peso, nota ou pontuação, e nenhuma soma é feita ao final. Diferenças de escala territorial, de sistema de escrita ou de organização militar aparecem acompanhadas das condições que as produziram.
8. Comparações recomendadas
Um par só recebe texto editorial quando existe uma pergunta histórica que justifique aproximá-lo: contiguidade territorial, herança institucional, contemporaneidade ou contraste estrutural diante de um problema comum. Pares sem essa justificativa continuam disponíveis para consulta livre no comparador, mas não recebem texto de contexto nem entram na seleção editorial.
9. Imagens
As imagens são composições ilustrativas produzidas para o acervo, com paleta e tratamento unificados. Elas ambientam a leitura e não reproduzem sítios arqueológicos, peças de acervo ou documentos específicos. Todas têm descrição textual alternativa, e nenhuma é apresentada como registro documental.
10. Atualização
Cada ficha exibe a data da última revisão. Revisamos um conteúdo quando surge publicação relevante que altera datação ou interpretação, quando recebemos apontamento consistente de erro e em revisões periódicas programadas. O procedimento está descrito na política de correções.
11. Independência
A equipe não recebe pagamento para incluir, destacar ou omitir conteúdo. Eventuais receitas de publicidade, quando existirem, são administradas separadamente da produção editorial e não interferem na seleção de civilizações nem na redação das fichas.
12. Uso educativo
O conteúdo tem finalidade educativa e serve como ponto de partida organizado. Trabalhos acadêmicos devem recorrer às obras citadas ao final de cada ficha. As condições de citação e reprodução estão nos Termos de Uso.
Política revisada em 8 de setembro de 2026.