Civilizações das Américas
Sociedades que desenvolveram urbanismo, calendários, engenharia hidráulica e estados territoriais sem contato com a Eurásia, a partir de plantas cultivadas e de animais domésticos completamente diferentes.
Um desenvolvimento em separado
O que torna este recorte particularmente útil para comparação é o isolamento. Até o fim do século XV, as sociedades americanas se desenvolveram sem qualquer contato com a Eurásia e a África, o que significa que as semelhanças encontradas — cidades planejadas, arquitetura monumental, calendários precisos, estados que cobram tributo, especialistas religiosos em tempo integral — não podem ser explicadas por difusão. Elas aparecem como respostas independentes a problemas de organização parecidos.
As bases materiais, no entanto, eram bem distintas. Não havia bois, cavalos, ovelhas nem porcos; a tração animal, o arado e a roda aplicada a transporte não fizeram parte do repertório produtivo. Em compensação, milho, feijão, abóbora, mandioca, batata, tomate, cacau e algodão sustentaram populações densas, e nos Andes as lhamas e alpacas forneceram carga, lã e adubo. A metalurgia existiu, sobretudo em ouro, prata, cobre e bronze arsenical, aplicada principalmente a insígnias, ferramentas e ornamento.
As soluções para terrenos difíceis são o traço mais impressionante deste conjunto. Chinampas ganharam terra cultivável sobre água rasa na bacia do México; terraços e cultivo escalonado por altitude permitiram agricultura estável nos Andes; reservatórios, campos elevados e cisternas escavadas em rocha sustentaram cidades maias em regiões de estação seca prolongada. Nada disso é arcaico: são engenharias adaptadas a condições específicas, várias delas retomadas hoje em projetos agrícolas.
O que aproxima estas sociedades
- Cultivo baseado no milho e, nos Andes, no tubérculo, com técnicas de conservação de longo prazo.
- Sistemas de registro próprios: escrita logossilábica maia, códices pictográficos mesoamericanos e quipos andinos.
- Engenharia hidráulica e agrícola adaptada a alagado, altitude e estação seca.
- Estados que extraíam tributo em bens ou em trabalho, sem moeda cunhada em circulação geral.
- Continuidade das populações originárias, cujas línguas e práticas seguem vivas na região.
Cuidado de leitura. Estas sociedades não desapareceram: foram conquistadas e reorganizadas à força, e seus descendentes constituem hoje milhões de pessoas. Falar delas apenas no passado é uma imprecisão histórica.
Civilizações deste conjunto
Em ordem cronológica aproximada de formação.
Península de Iucatã, Petén, Chiapas, Belize, Guatemala e Honduras
Maias
c. 2000 a.C. – 1697 d.C.Rede de reinos das terras baixas e altas mesoamericanas que sustentou dinastias rivais por séculos, deixou uma escrita hoje…
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Planície costeira do Golfo do México, em Veracruz e Tabasco
Olmecas
c. 1500 a.C. – 400 a.C.Conjunto de sociedades da planície costeira do Golfo do México que ergueu centros como San Lorenzo e La Venta, esculpiu cabeças…
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Bacia lacustre do México, a 2.240 metros de altitude
Astecas
1325 d.C. – 1521 d.C.Aliança de senhorios da bacia do México, encabeçada por Tenochtitlan, que reuniu províncias tributárias do golfo ao Pacífico e…
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Andes centrais, do sul da Colômbia ao centro do Chile e Argentina
Incas
1438 d.C. – 1533 d.C.Estado andino que reuniu povos do sul da Colômbia ao centro do Chile por meio de estradas, armazéns e trabalho rotativo…
Américas Ver ficha →Pares comentados que envolvem este recorte
Astecas e incas: tributo, trabalho e território
Os dois maiores estados americanos do século XV existiram ao mesmo tempo, sem contato documentado entre eles, e organizaram poder, abastecimento e registro por caminhos bastante…
Ler a comparação → Maias e OlmecasOlmecas e maias: herança na Mesoamérica
As duas sociedades ocuparam regiões vizinhas em momentos diferentes e compartilharam elementos culturais que fizeram nascer a ideia de uma cultura fundadora da Mesoamérica. A…
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