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LeadXone Civilizações antigas comparadas
Comparação lado a lado

Índia Antiga e Pérsia Aquemênida: comparação lado a lado

Comparação montada a partir do acervo. As duas fichas seguem a mesma pauta de 21 características, preenchidas e revisadas separadamente.

Composição ilustrativa com traçado urbano em malha, pilar polido e cúpula de estupa em tons de areia, açafrão e verde escuro, evocando a Índia Antiga.

Índia Antiga

c. 2600 a.C. – 550 d.C. · Ásia

Conjunto de formações do subcontinente reunido em três momentos de evidência distinta: as cidades planejadas do vale do Indo, o período védico conhecido por textos transmitidos…

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Composição ilustrativa com terraço de pedra, colunas altas e relevo de procissão em tons de ocre e azul profundo, evocando a Pérsia Aquemênida.

Pérsia Aquemênida

550 a.C. – 330 a.C. · Ásia

Império formado no planalto iraniano que reuniu sob um mesmo governo povos do Egeu ao Indo, organizado em satrapias, estradas de correio e tributo regular, e desfeito diante das…

Panorama das classificações

Continente

Índia: Ásia

Pérsia: Ásia

Classificações próximas

Faixa cronológica

Índia: Quarto e terceiro milênios a.C.

Pérsia: Primeiro milênio a.C.

Classificações distintas

Sistema político predominante

Índia: Monarquia territorial

Pérsia: Império centralizado

Classificações distintas

Extensão aproximada no auge

Índia: cerca de 5.000.000 km²

Pérsia: cerca de 5.500.000 km²

Classificações próximas

Contemporaneidade

Os dois recortes convivem por aproximadamente 220 anos, o que permite falar de contemporaneidade parcial.

Recortes sobrepostos
19 características com respostas distintas 0 características com respostas próximas

Território e cronologia 4 de 4 com respostas distintas

Período histórico

Respostas distintas
Índia

Três fases distintas: Indo, período védico e impérios Máuria e Gupta

Esta ficha cobre cerca de três milênios e reúne fases cuja documentação é de natureza muito diferente. A civilização do vale do Indo, madura entre 2600 e 1900 a.C., é conhecida quase só por vestígios materiais, já que sua escrita não foi lida. O período védico, entre cerca de 1500 e 600 a.C., apoia-se em textos transmitidos oralmente por séculos antes de serem postos por escrito, o que impede datar acontecimentos com segurança. Os impérios Máuria, a partir de 321 a.C., e Gupta, entre os séculos IV e VI d.C., já contam com inscrições datadas, moedas e relatos de viajantes.

Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.
Pérsia

550 a.C. a 330 a.C., de Ciro II à conquista macedônia

A contagem usual começa em 550 a.C., quando Ciro II submeteu o reino medo, e termina em 330 a.C., com a morte de Dario III durante a campanha de Alexandre. Entre esses marcos cabem cerca de dez reinados, conhecidos por inscrições reais, tabuletas administrativas e relatos gregos escritos por adversários. As datas de reinado têm margem de um a dois anos, e a reconstituição dos episódios de sucessão, como a subida de Dario I ao trono em 522 a.C., depende de versões oficiais que os próprios reis mandaram gravar.

Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.

Localização

Respostas distintas
Índia

Bacias do Indo e do Ganges, entre o Himalaia e o planalto do Decã

O espaço tratado abrange o subcontinente indiano, do Himalaia ao sul peninsular. As cidades do Indo concentraram-se no noroeste, no atual Paquistão e no oeste da Índia, ao longo do rio Indo e de leitos hoje secos associados ao antigo curso do Ghaggar-Hakra. O eixo de poder deslocou-se depois para a planície do Ganges, onde se formaram os reinos do período seguinte e onde ficava Pataliputra. O planalto do Decã e a costa sul mantiveram trajetórias próprias, com reinos e portos voltados ao comércio marítimo.

Pérsia

Planalto iraniano como núcleo, do Egeu ao vale do Indo

O núcleo do império ficava no sudoeste do atual Irã, na região de Parsa, e na vizinha planície da Susiana. A partir daí, o domínio alcançou a Anatólia e a costa do Egeu, a Mesopotâmia, o Levante, o Egito, a Ásia Central e o vale do Indo, reunindo desertos, cadeias montanhosas, estepes e planícies aluviais. Essa amplitude obrigou o governo a lidar com regimes de chuva, línguas e formas de propriedade muito diferentes entre si, e explica a atenção dedicada à administração provincial.

Extensão territorial aproximada

Respostas distintas
Índia

Cerca de 5 milhões de km² no auge máuria, com controle desigual

As cifras de maior extensão referem-se ao império Máuria sob Ashoka, no século III a.C., e chegam a cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados, cobrindo boa parte do subcontinente e o atual Afeganistão oriental. O controle era desigual: áreas de floresta e regiões periféricas ficavam fora da administração direta, e os próprios editos distinguem territórios sob governo do rei de povos vizinhos apenas influenciados. A área ocupada pela civilização do Indo, cerca de mil anos antes, é calculada de modo independente e costuma ser situada entre 800 mil e 1,2 milhão de quilômetros quadrados.

Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.
Pérsia

Cerca de 5,5 milhões de km² no reinado de Dario I

As estimativas para o maior alcance territorial, obtido entre os reinados de Dario I e Xerxes I, giram em torno de 5,5 milhões de quilômetros quadrados, com variação conforme se incluam ou não áreas de controle intermitente, como a Trácia e as províncias do Indo. Fronteiras antigas não eram linhas contínuas: havia zonas de tributo regular, zonas de aliança e faixas de deserto e montanha sem administração direta. Qualquer número, portanto, deve ser lido como ordem de grandeza, não como medida cadastral.

Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.

Principais cidades

Respostas distintas
Índia

Mohenjo-daro e Harappa no Indo; Pataliputra e Taxila depois

Mohenjo-daro e Harappa, com áreas construídas superiores a cem hectares, eram os maiores assentamentos do Indo, ao lado de Dholavira, Rakhigarhi e do sítio portuário de Lothal. Séculos mais tarde, o centro político passou a Pataliputra, capital máuria às margens do Ganges, descrita por embaixadores gregos como cidade cercada de paliçada e fosso. Taxila, no noroeste, funcionou como entreposto e polo de ensino, e Ujjain como nó de rotas interiores. As estimativas de população para Mohenjo-daro variam entre vinte e quarenta mil habitantes, conforme o critério de densidade adotado.

Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.
Pérsia

Persépolis, Susa, Pasárgada e Ecbátana em uso simultâneo

A corte não tinha capital única: deslocava-se entre Pasárgada, fundada por Ciro II e local de sua tumba, Susa, sede administrativa e de arquivos, Ecbátana, residência de verão nas montanhas, e Persépolis, terraço cerimonial iniciado por Dario I. Babilônia e Sardes funcionavam como centros provinciais de grande peso econômico. Os números de população propostos para esses lugares são reconstituições frágeis, e mesmo para a Babilônia oscilam entre algumas dezenas de milhares e mais de cem mil habitantes.

Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.

Poder e sociedade 3 de 3 com respostas distintas

Forma de governo

Respostas distintas
Índia

Sem indício de rei no Indo; monarquias e assembleias de linhagem depois

Para a fase do Indo não há palácios, tumbas reais ou imagens de soberano que permitam identificar uma monarquia, e as propostas variam entre conselhos de elites urbanas e chefias locais articuladas, sem que nenhuma se imponha. No primeiro milênio a.C., a planície do Ganges abrigou tanto monarquias hereditárias quanto comunidades governadas por assembleias de linhagens aristocráticas. Com os Máurias formou-se uma administração centralizada, com ministros, inspetores e províncias entregues a príncipes; os Guptas, mais tarde, governaram por rede de reinos subordinados e alianças matrimoniais.

Pérsia

Realeza única sobre satrapias com sátrapa, tesoureiro e guarnição

O rei concentrava a autoridade última e apresentava-se nas inscrições como escolhido por Aúra-Masda para manter a ordem entre povos diversos. O território foi dividido por Dario I em satrapias, unidades provinciais chefiadas por um sátrapa, com tesoureiro e comandante militar frequentemente nomeados à parte, de modo que as funções se controlassem mutuamente. Cada satrapia devia tributo fixo em prata ou em produtos, e inspetores enviados pela corte percorriam as províncias para verificar contas e lealdades.

Organização social

Respostas distintas
Índia

Ordens rituais varna e grupos de nascimento jati, com prática variável

Os textos védicos apresentam a sociedade dividida em quatro ordens rituais, os varna, com brâmanes, guerreiros, produtores e servidores, além de grupos mantidos à margem desse esquema. Trata-se de um modelo normativo elaborado por autores brâmanes: inscrições, registros de doação e textos budistas mostram situações concretas bem mais fluidas, com mobilidade de ocupação e peso das comunidades de nascimento e ofício chamadas jati. Na fase do Indo, a ausência de tumbas muito ricas ou de residências claramente palacianas sugere diferenças de riqueza menos marcadas na paisagem construída.

Pérsia

Nobreza persa, elites provinciais mantidas e trabalho pago em ração

No topo estavam as grandes famílias persas e medas, ligadas ao rei por parentesco, serviço militar e concessão de terras. Abaixo delas, elites locais conservaram cargos, templos e patrimônios nas regiões incorporadas, o que dava ao império o caráter de acordo permanente entre a corte e os poderes provinciais. As tabuletas administrativas de Persépolis registram milhares de trabalhadores deslocados por obra ou tarefa, homens e mulheres, remunerados em rações de cevada, vinho e carneiro, com valores diferenciados por qualificação e por cargo.

Organização militar

Respostas distintas
Índia

Infantaria, cavalaria, carros e elefantes no exército máuria

Relatos gregos sobre a corte máuria descrevem um exército permanente de grande porte, dividido em infantaria, cavalaria, carros e elefantes de guerra, com cifras que a crítica moderna considera infladas e reduz para algo entre duzentos e quatrocentos mil homens em mobilização máxima. O elefante tornou-se peça central da guerra no subcontinente e foi item de negociação diplomática com os selêucidas. Para a fase do Indo não há muralhas claramente defensivas, armamento padronizado nem cenas de batalha, ausência que alimenta discussão sobre a frequência do conflito armado.

Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.
Pérsia

Arqueiros de escudo de vime, cavalaria e contingentes das satrapias

O exército reunia um núcleo permanente de guardas de elite, que Heródoto descreve como corpo de dez mil homens sempre recompletado, e contingentes recrutados nas satrapias conforme a campanha. A infantaria persa combinava arco e lança com escudo de vime, tática eficaz contra tropas leves e mais frágil diante da falange pesada grega. A cavalaria era arma de prestígio e a frota dependia de esquadras fenícias, cipriotas, egípcias e jônicas. Os efetivos transmitidos por autores gregos para as invasões da Grécia são reconhecidamente exagerados: reconstituições atuais trabalham com dezenas de milhares de homens.

Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.

Economia e subsistência 3 de 3 com respostas distintas

Economia

Respostas distintas
Índia

Excedente agrário tributado, corporações shreni e moeda punçoada

Na fase do Indo, a economia articulava agricultura, pastoreio, artesanato especializado e troca de longa distância, com pesos cúbicos de padrão comum encontrados em sítios distantes entre si. A partir do primeiro milênio a.C., o excedente agrário da planície do Ganges sustentou cidades, exércitos e uma tributação regular, e passaram a circular moedas de prata e cobre marcadas por punção. Nos períodos Máuria e Gupta, corporações de artesãos e comerciantes, chamadas shreni, regulavam preços, aprendizado e crédito, e recebiam depósitos destinados a manter mosteiros e templos.

Pérsia

Tributo provincial em prata, tesouros palacianos e cunhagem do dárico

A receita vinha de tributo anual fixado por satrapia, de rendas de domínios reais e de taxas sobre circulação e portos. Parte do fluxo era recolhida em metal pesado e guardada em tesouros palacianos, o que retirava prata de circulação e é apontado como um dos limites do sistema. Dario I estabeleceu a cunhagem imperial com o dárico de ouro e o siglo de prata, moedas usadas sobretudo no oeste, enquanto na Mesopotâmia e nas províncias orientais seguiam predominando pagamentos em prata pesada e em espécie.

Agricultura

Respostas distintas
Índia

Trigo e cevada no Indo; arroz alagado na planície do Ganges

Nos sítios do Indo predominavam trigo, cevada, ervilha, gergelim e algodão, com indícios de cultivo de arroz em algumas áreas e uso intenso de gado bovino e de búfalo. A ocupação da planície do Ganges, no primeiro milênio a.C., apoiou-se na abertura de floresta com ferramentas de ferro e no arroz cultivado em campos alagados, capaz de sustentar densidades bem maiores. Reservatórios, poços escalonados e canais aparecem desde cedo, e uma inscrição relativa ao lago Sudarshana, no Gujarate, documenta a manutenção de uma barragem por governos sucessivos ao longo de séculos.

Pérsia

Cereais de chuva de inverno e irrigação por galerias de qanate

Nas terras altas, o cultivo dependia da chuva de inverno e da irrigação por qanates, galerias levemente inclinadas que conduzem água de lençóis de encosta até os campos com pouca perda por evaporação. Nas planícies da Mesopotâmia e do Egito, o império herdou e manteve sistemas de canais já consolidados. Cevada, trigo, tâmara, videira e árvores frutíferas apareciam ao lado de jardins murados de caça e recreio, designados por um termo iraniano que passou ao grego e está na origem da palavra paraíso.

Comércio

Respostas distintas
Índia

Selos do Indo na Mesopotâmia e navegação de monção até o mar Vermelho

Selos e contas de cornalina de tipo indiano aparecem em sítios mesopotâmicos, e textos cuneiformes mencionam trocas com uma região chamada Meluhha, em geral identificada com o Indo. Em época posterior, rotas terrestres ligaram o noroeste à Ásia Central e ao mundo iraniano. Do século I d.C. em diante, o domínio do regime de ventos de monção permitiu travessias diretas entre portos indianos e o mar Vermelho, movimento descrito num roteiro de navegação grego e confirmado por achados de moedas romanas no sul da Índia e por escavações em entrepostos da costa.

Pérsia

Rotas terrestres guarnecidas entre Egeu, Mesopotâmia e Ásia Central

A unificação política de um espaço muito extenso reduziu barreiras internas e favoreceu o trânsito de lã, tecidos, metais, pedras semipreciosas, produtos aromáticos e cavalos. Estradas mantidas pelo estado, guarnições em passagens de montanha e o uso do aramaico na correspondência facilitaram contratos entre regiões distantes. Por mar, frotas fenícias e gregas ligavam o Levante ao Egeu, e uma expedição enviada por Dario I teria reconhecido a rota do Indo ao golfo Pérsico e ao mar Vermelho, segundo relato transmitido por Heródoto.

Cultura, crença e saber 4 de 4 com respostas distintas

Sistema de escrita

Respostas distintas
Índia

Escrita do Indo ainda não lida; brahmi e kharosthi a partir de Ashoka

Os sinais gravados em selos e placas do Indo formam sequências curtas, quase sempre com menos de dez caracteres, e nenhum texto bilíngue foi encontrado até hoje. Sem esse apoio e sem certeza sobre a língua registrada, as propostas de leitura não puderam ser verificadas, e há inclusive quem defenda que o sistema não notava uma língua completa; o debate segue aberto e é uma questão técnica, com critérios definidos de prova. Séculos depois, os editos de Ashoka aparecem em brahmi e, no noroeste, em kharosthi, escritas que estão na base de boa parte dos alfabetos do sul e do sudeste asiático.

Pérsia

Cuneiforme persa antigo nos monumentos e aramaico na chancelaria

As inscrições reais empregavam um cuneiforme criado para o persa antigo, com pouco mais de trinta sinais, quase sempre acompanhado de versões em elamita e em babilônio. A inscrição que Dario I mandou abrir no rochedo de Beistum, redigida nessas três línguas, foi decisiva para a decifração moderna do cuneiforme no século XIX. No dia a dia, porém, a administração corria em elamita nos arquivos de Persépolis e, de forma crescente, em aramaico escrito com tinta sobre couro e papiro, adotado como língua de chancelaria em todo o império.

Religião

Respostas distintas
Índia

Ritual védico, correntes ascéticas e formação do budismo e do jainismo

Os hinos do Rigveda, transmitidos oralmente com técnicas de memorização muito rigorosas antes de qualquer registro escrito, giram em torno do sacrifício ao fogo e de divindades como Indra, Agni e Varuna. Entre os séculos VI e IV a.C. difundiram-se correntes ascéticas que questionavam a eficácia do sacrifício, entre elas o budismo e o jainismo, que obtiveram apoio de reis e de comunidades urbanas. Ashoka fez do dharma budista um programa público sem suprimir outros cultos. No período Gupta consolidaram-se templos e a devoção a Vishnu, Shiva e às deusas, base das tradições hindus posteriores.

Pérsia

Aúra-Masda invocado pela corte, com cultos locais mantidos ativos

As inscrições reais atribuem a Aúra-Masda a concessão do trono e a vitória sobre a desordem, vocabulário próximo do que a tradição zoroastriana viria a fixar. A datação de Zaratustra é objeto de longa controvérsia: argumentos linguísticos o situam entre o segundo e o início do primeiro milênio a.C., enquanto uma tradição posterior o aproxima do século VI a.C., e nenhuma inscrição aquemênida o menciona. A corte sustentava ainda santuários de outras divindades e, como política de governo, financiou a restauração de templos na Babilônia, no Egito e em Jerusalém.

Arte

Respostas distintas
Índia

Selos gravados, capitel de leões de Sarnath e escultura de Mathura

Do Indo vieram selos de esteatita com animais finamente gravados, figurinhas de terracota e peças de bronze fundido pelo método da cera perdida, entre elas a pequena estatueta conhecida como dançarina. Os pilares máurias terminam em capitéis polidos, como o de Sarnath, com quatro leões sobre uma roda e animais em relevo. Nos séculos seguintes, as oficinas de Mathura e de Gandara fixaram formas de representar o Buda, a segunda em diálogo com modelos helenísticos. As pinturas murais de Ajanta, do período Gupta, mostram cenas de corte e narrativas budistas.

Pérsia

Relevo de procissão em pedra e ourivesaria de animais estilizados

As escadarias de Persépolis conservam longas faixas de relevo com delegações que levam tecidos, vasos, animais e metais à corte, dispostas em ritmo regular e com atenção aos trajes e penteados de cada povo. A modelagem pouco profunda e a repetição controlada das figuras produzem efeito de ordem, adequado à mensagem política do conjunto. Em escala menor, a ourivesaria trabalhou pulseiras, rítons e placas com grifos, íbices e leões, peças reunidas em acervos como o chamado tesouro do Oxus. Painéis de tijolo vitrificado vindos de Susa mostram arqueiros e leões em cores vivas.

Conhecimento científico

Respostas distintas
Índia

Gramática de Panini, astronomia de Aryabhata e contagem por posição

A gramática do sânscrito composta por Panini, por volta do século IV a.C., descreve a língua por meio de regras encadeadas com um rigor que ainda hoje é estudado por linguistas. Na matemática e na astronomia, o Aryabhatiya, de 499 d.C., trata de raízes, séries, movimento planetário e rotação da Terra, apoiado em contagem decimal por posição. A formulação do zero como número, com regras próprias de operação, aparece no tratado de Brahmagupta de 628 d.C., já fora do recorte desta ficha; um ponto usado como marcador de casa vazia consta do manuscrito de Bakhshali, cuja datação continua discutida.

Pérsia

Astronomia babilônica sustentada pelo estado e medidas padronizadas

O império não produziu uma tradição científica própria e unificada, mas manteve e financiou centros de saber já existentes. Na Babilônia, escribas continuaram a registrar diários astronômicos com posições de planetas, eclipses e preços de mercadorias, série de observações que se estende por séculos e alimentou depois a astronomia grega. A administração padronizou pesos, medidas de capacidade e um calendário lunissolar de origem babilônica, e médicos de várias procedências circulavam pela corte, conforme relatos gregos que pedem leitura cautelosa.

Construção e técnica 3 de 3 com respostas distintas

Arquitetura

Respostas distintas
Índia

Tijolo de proporção fixa no Indo; estupas e salas escavadas na rocha

As cidades do Indo foram construídas com tijolos cozidos de proporção constante, próxima de um por dois por quatro, assentados sobre plataformas e servidos por canaletas e poços; o chamado grande banho de Mohenjo-daro é um tanque impermeabilizado com betume. Da fase máuria em diante, o repertório monumental passa a ser dominado por estupas hemisféricas com balaustrada e portais esculpidos, como em Sanchi, e por salas de culto escavadas na rocha, como em Bhaja e mais tarde em Ajanta. No período Gupta surgem os primeiros templos de pedra com câmara central e cobertura de laje.

Pérsia

Terraços elevados e salas hipostilas com capitéis de touros gêmeos

O repertório aquemênida combinou terraços de pedra aparelhada, escadarias com relevos, portais monumentais e salas hipostilas de planta quadrada, como a apadana de Persépolis, sustentada por dezenas de colunas altas e esbeltas com capitéis em forma de touros ou leões geminados. A carta de fundação do palácio de Susa, mandada gravar por Dario I, enumera materiais e artesãos vindos de várias províncias, o que indica uma linguagem arquitetônica montada deliberadamente com equipes de origens diversas. Em Pasárgada, a tumba atribuída a Ciro II adota forma bem mais sóbria, de câmara sobre plataforma escalonada.

Tecnologia

Respostas distintas
Índia

Saneamento urbano no Indo, aço em cadinho e o pilar de ferro de Delhi

Mohenjo-daro dispunha de banheiros domésticos ligados a canaletas cobertas ao longo das ruas, com poços de decantação, um dos sistemas de saneamento urbano mais bem documentados do terceiro milênio a.C. A metalurgia trabalhou cobre e bronze e, mais tarde, ferro em grande escala; oficinas do sul produziram aço em cadinho, exportado e apreciado em outras regiões. O pilar de ferro erguido em Delhi no período Gupta, com cerca de seis toneladas, resiste à corrosão graças a uma camada superficial formada pelo fósforo presente no metal, resultado das técnicas de forja empregadas.

Pérsia

Qanates, pontes de barcas, canal do Nilo ao mar Vermelho e correio montado

Entre as obras de engenharia do período estão a difusão dos qanates para captação de água, o canal concluído por Dario I entre o Nilo e o mar Vermelho, registrado em estelas com texto em persa antigo e em egípcio, e o corte de um canal na península de Atos, cujo traçado foi confirmado por prospecção geofísica. Nas campanhas, o exército montou pontes de barcas sobre estreitos e rios largos. O correio com postos de muda ao longo das estradas permitia que uma ordem percorresse em poucos dias um trajeto que um viajante comum levava cerca de três meses para completar.

Realizações

Respostas distintas
Índia

Urbanismo planejado do Indo, editos de Ashoka e cálculo posicional

Entre os resultados mais citados estão o planejamento urbano com padronização de medidas e saneamento no vale do Indo, a difusão de uma linguagem política pública nos editos de Ashoka, gravados em várias línguas e escritas ao longo de todo o império, e a consolidação da notação decimal por posição, retomada depois no mundo islâmico e na Europa. Somam-se a produção têxtil de algodão, exportada por séculos, a arquitetura escavada na rocha e uma tradição de análise gramatical e lógica desenvolvida em escolas de debate.

Pérsia

Governo de povos diversos por satrapias, estradas e língua de chancelaria

A contribuição mais durável foi institucional: um modelo capaz de administrar povos com línguas, cultos e direitos próprios sem exigir uniformidade cultural, apoiado em satrapias, arquivos, tributo calculado e uma língua comum de chancelaria. A esse arranjo somam-se a rede viária com correio regular, a cunhagem imperial, o conjunto monumental de Persépolis e a inscrição de Beistum, que serviu de chave para a leitura do cuneiforme. O cilindro de Ciro, redigido em babilônio, documenta a estratégia de apresentar a conquista como restauração de cultos locais, e não deve ser lido como declaração de princípios no sentido atual.

Trajetória posterior 2 de 2 com respostas distintas

Declínio

Respostas distintas
Índia

Esvaziamento das cidades do Indo e enfraquecimento Gupta no século VI

Entre 1900 e 1300 a.C., as grandes cidades do Indo foram sendo esvaziadas, com perda de padronização, redução da escala urbana e deslocamento da ocupação para leste; as explicações em discussão combinam mudança no regime de monções, alteração no curso de rios e reorganização das redes de troca, sem que uma invasão dê conta do processo. Muito depois, o império Máuria fragmentou-se poucas décadas após Ashoka, e o poder Gupta enfraqueceu no século VI d.C. sob pressão de grupos hunas e de governadores provinciais que se tornaram autônomos.

Pérsia

Revoltas de sátrapas e derrota militar diante de Alexandre

O século IV a.C. foi marcado por disputas de sucessão, mortes violentas na corte e revoltas de sátrapas no oeste, além da perda temporária do Egito, retomado por Artaxerxes III. Quando Alexandre atravessou para a Ásia em 334 a.C., o império ainda dispunha de grandes recursos, mas foi derrotado nas batalhas do Granico, de Isso e de Gaugamela. Persépolis foi tomada e incendiada em 330 a.C., e Dario III morreu assassinado por um de seus próprios comandantes durante a fuga, o que encerrou a dinastia.

Influência histórica

Respostas distintas
Índia

Difusão do budismo pela Ásia e circulação da notação decimal

O budismo saiu do subcontinente por rotas terrestres e marítimas e tornou-se referência religiosa e artística no Sri Lanka, na Ásia Central, na China, na Coreia, no Japão e no sudeste asiático, levando consigo formas arquitetônicas e um repertório de imagens. A notação decimal por posição chegou ao Mediterrâneo por intermédio de matemáticos de língua árabe e passou a ser usada na Europa a partir do fim da Idade Média. Textos, técnicas têxteis e produtos como algodão, pimenta e aço circularam por rotas que ligavam o subcontinente ao oceano Índico.

Pérsia

Modelo administrativo retomado por selêucidas, partas e sassânidas

As estruturas provinciais, as rotas e boa parte do pessoal administrativo passaram quase intactos ao domínio macedônio e depois aos reinos selêucidas, e o vocabulário de realeza iraniana foi retomado por partas e sassânidas. A imagem da Pérsia chegou ao Ocidente sobretudo por autores gregos que escreviam do ponto de vista de adversários, o que por muito tempo condicionou a leitura do período. A publicação sistemática das tabuletas de Persépolis e das inscrições reais reequilibrou esse quadro nas últimas décadas.

Esta combinação foi montada a partir das duas fichas e ainda não recebeu texto de contexto próprio. As comparações com introdução, contexto e considerações finais estão reunidas em comparações recomendadas.

Existe uma versão comentada deste par, na ordem inversa: Pérsia e Índia: administrar a diversidade.

Referências

Fontes consultadas nas duas fichas

Índia Antiga

  • South Asia: coleção e programas de pesquisa The British Museum Consultar a referência
  • South Asian Art — ensaios do Heilbrunn Timeline of Art History The Metropolitan Museum of Art Consultar a referência
  • Coleções harapanas e arte dos períodos máuria e gupta National Museum of India
  • Archaeological Ruins at Moenjodaro — documentação de sítio inscrito UNESCO — Patrimônio Mundial
  • The Archaeology of South Asia: From the Indus to Asoka, c. 6500 BCE–200 CE Cambridge University Press, 2015

Pérsia Aquemênida

  • Cilindro de Ciro e coleções do antigo Irã The British Museum Consultar a referência
  • Ancient Iran — ensaios do Heilbrunn Timeline of Art History The Metropolitan Museum of Art Consultar a referência
  • Antiguidades orientais: Susa e o mundo aquemênida Musée du Louvre
  • The Cambridge History of Iran, volume 2: The Median and Achaemenian Periods Cambridge University Press, 1985
  • The Oxford Handbook of Ancient Iran Oxford University Press, 2013
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