Suméria
Conjunto de cidades-estado da baixa Mesopotâmia que organizou a agricultura de canais, fez do templo um centro econômico e criou, a partir do registro contábil, a escrita…
Comparação montada a partir do acervo. As duas fichas seguem a mesma pauta de 21 características, preenchidas e revisadas separadamente.
Conjunto de cidades-estado da baixa Mesopotâmia que organizou a agricultura de canais, fez do templo um centro econômico e criou, a partir do registro contábil, a escrita…
Conjunto de formações do subcontinente reunido em três momentos de evidência distinta: as cidades planejadas do vale do Indo, o período védico conhecido por textos transmitidos…
Suméria: Ásia
Índia: Ásia
Classificações próximasSuméria: Quarto e terceiro milênios a.C.
Índia: Quarto e terceiro milênios a.C.
Classificações próximasSuméria: Cidades-estado autônomas
Índia: Monarquia territorial
Classificações distintasSuméria: cerca de 40.000 km²
Índia: cerca de 5.000.000 km²
Classificações distintasOs dois recortes convivem por aproximadamente 850 anos, o que permite falar de contemporaneidade parcial.
Recortes sobrepostosc. 4000 a.C. a 1750 a.C., do período de Uruk a Isin e Larsa
A sequência suméria é dividida em período de Uruk, Jemdet Nasr, Dinástico Arcaico, império de Acade, Terceiro Período de Ur e a fase de Isin e Larsa, encerrada por volta de 1750 a.C. com a ascensão da Babilônia. As datas do quarto e do terceiro milênios trabalham com margens de várias décadas, e para o Dinástico Arcaico convivem cronologias alta, média e baixa, com diferenças que chegam a mais de um século. A Lista Real Suméria, que atribui reinados de milhares de anos aos primeiros reis, é documento de legitimação e não registro cronológico utilizável.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Três fases distintas: Indo, período védico e impérios Máuria e Gupta
Esta ficha cobre cerca de três milênios e reúne fases cuja documentação é de natureza muito diferente. A civilização do vale do Indo, madura entre 2600 e 1900 a.C., é conhecida quase só por vestígios materiais, já que sua escrita não foi lida. O período védico, entre cerca de 1500 e 600 a.C., apoia-se em textos transmitidos oralmente por séculos antes de serem postos por escrito, o que impede datar acontecimentos com segurança. Os impérios Máuria, a partir de 321 a.C., e Gupta, entre os séculos IV e VI d.C., já contam com inscrições datadas, moedas e relatos de viajantes.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Baixa planície do Tigre e do Eufrates, no sul do atual Iraque
As cidades sumérias ocupavam a planície aluvial do sul da Mesopotâmia, entre o curso inferior do Tigre e do Eufrates e as marismas próximas ao golfo Pérsico. Era uma terra sem pedra de construção, sem madeira de porte e sem minério, o que fez do barro o material básico de casas, templos e tabuletas, e do intercâmbio uma necessidade permanente. A linha de costa avançou com o depósito de sedimentos: Eridu e Ur, hoje distantes do mar, estiveram próximas de lagunas e de canais navegáveis.
Bacias do Indo e do Ganges, entre o Himalaia e o planalto do Decã
O espaço tratado abrange o subcontinente indiano, do Himalaia ao sul peninsular. As cidades do Indo concentraram-se no noroeste, no atual Paquistão e no oeste da Índia, ao longo do rio Indo e de leitos hoje secos associados ao antigo curso do Ghaggar-Hakra. O eixo de poder deslocou-se depois para a planície do Ganges, onde se formaram os reinos do período seguinte e onde ficava Pataliputra. O planalto do Decã e a costa sul mantiveram trajetórias próprias, com reinos e portos voltados ao comércio marítimo.
Cerca de 40 mil km² de núcleo aluvial, sem estado unificado
A cifra de aproximadamente 40 mil quilômetros quadrados descreve a faixa aluvial em que se distribuíam as cidades sumérias, e não o território de um estado único: por quase todo o terceiro milênio Sumer foi um mosaico de cidades autônomas, cada uma controlando sua área murada, aldeias dependentes e trechos de canal. Somente sob Acade e sob o Terceiro Período de Ur essa área passou a ser administrada de forma centralizada, e mesmo então com limites variáveis. As estimativas de superfície efetivamente irrigada divergem, e comparações com estados territoriais precisam considerar essa diferença de escala política.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Cerca de 5 milhões de km² no auge máuria, com controle desigual
As cifras de maior extensão referem-se ao império Máuria sob Ashoka, no século III a.C., e chegam a cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados, cobrindo boa parte do subcontinente e o atual Afeganistão oriental. O controle era desigual: áreas de floresta e regiões periféricas ficavam fora da administração direta, e os próprios editos distinguem territórios sob governo do rei de povos vizinhos apenas influenciados. A área ocupada pela civilização do Indo, cerca de mil anos antes, é calculada de modo independente e costuma ser situada entre 800 mil e 1,2 milhão de quilômetros quadrados.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Uruk, Ur, Lagash, Nipur e Eridu, cada uma com seu deus tutelar
Uruk, com cerca de 250 hectares intramuros no fim do quarto milênio, é o maior aglomerado conhecido do período e reunia os santuários de An e de Inana. Ur controlava o acesso fluvial ao golfo e sediou, no século XXI a.C., a administração de um estado regional, enquanto Lagash, com centro cerimonial em Girsu, deixou o mais extenso arquivo econômico do Dinástico Arcaico. Nipur, sede de Enlil, funcionava como centro religioso comum cuja adesão legitimava reis, e Eridu era tida na tradição local como a cidade mais antiga; as estimativas de população desses sítios variam de poucos milhares a algumas dezenas de milhares, conforme a densidade adotada.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Mohenjo-daro e Harappa no Indo; Pataliputra e Taxila depois
Mohenjo-daro e Harappa, com áreas construídas superiores a cem hectares, eram os maiores assentamentos do Indo, ao lado de Dholavira, Rakhigarhi e do sítio portuário de Lothal. Séculos mais tarde, o centro político passou a Pataliputra, capital máuria às margens do Ganges, descrita por embaixadores gregos como cidade cercada de paliçada e fosso. Taxila, no noroeste, funcionou como entreposto e polo de ensino, e Ujjain como nó de rotas interiores. As estimativas de população para Mohenjo-daro variam entre vinte e quarenta mil habitantes, conforme o critério de densidade adotado.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Cidades-estado dirigidas por ensi e lugal, com conselhos e assembleias
Cada cidade era dirigida por um governante que aparece nos textos como ensi, título ligado à administração das terras do deus da cidade, ou como lugal, literalmente homem grande, de conotação militar e territorial mais ampla. Documentos administrativos e narrativas mencionam conselhos de ancião e assembleias de homens armados consultados em decisões de guerra, o que indica poder pessoal limitado por corpos coletivos. Hegemonias temporárias, como a de Lugalzagesi de Umma e a de Sargão de Acade, submeteram várias cidades ao mesmo tempo sem eliminar as instituições locais.
Sem indício de rei no Indo; monarquias e assembleias de linhagem depois
Para a fase do Indo não há palácios, tumbas reais ou imagens de soberano que permitam identificar uma monarquia, e as propostas variam entre conselhos de elites urbanas e chefias locais articuladas, sem que nenhuma se imponha. No primeiro milênio a.C., a planície do Ganges abrigou tanto monarquias hereditárias quanto comunidades governadas por assembleias de linhagens aristocráticas. Com os Máurias formou-se uma administração centralizada, com ministros, inspetores e províncias entregues a príncipes; os Guptas, mais tarde, governaram por rede de reinos subordinados e alianças matrimoniais.
Casas de templo e palácio, famílias com terra, dependentes e cativos
Os arquivos distinguem os grandes domínios do templo e do palácio, com pessoal dependente que recebia rações ou lotes de terra em troca de trabalho, das famílias que possuíam suas próprias parcelas. Escribas, sacerdotes, administradores e artesãos especializados formavam camadas intermediárias vinculadas a essas instituições, e listas de rações permitem observar diferenças de tratamento entre categorias de trabalhadores. Havia pessoas escravizadas, em número reduzido diante do total e originadas sobretudo de guerra e de dívida; a remissão de débitos decretada por reis mostra que o endividamento rural era problema recorrente.
Ordens rituais varna e grupos de nascimento jati, com prática variável
Os textos védicos apresentam a sociedade dividida em quatro ordens rituais, os varna, com brâmanes, guerreiros, produtores e servidores, além de grupos mantidos à margem desse esquema. Trata-se de um modelo normativo elaborado por autores brâmanes: inscrições, registros de doação e textos budistas mostram situações concretas bem mais fluidas, com mobilidade de ocupação e peso das comunidades de nascimento e ofício chamadas jati. Na fase do Indo, a ausência de tumbas muito ricas ou de residências claramente palacianas sugere diferenças de riqueza menos marcadas na paisagem construída.
Lanceiros em formação cerrada e veículos de quatro rodas com asnos
Representações como a Estela dos Abutres, de Eanatum de Lagash, e o painel conhecido como Estandarte de Ur mostram infantaria em formação cerrada, com lanças, escudos retangulares, capacetes de cobre e veículos de quatro rodas tracionados por asnos. As forças eram recrutadas na população urbana e entre os dependentes das instituições, mobilizadas para disputas de fronteira e de água mais do que para conquista distante. Os números que as inscrições reais oferecem têm função comemorativa e admitem apenas ordens de grandeza; sob o Terceiro Período de Ur há indícios de contingentes permanentes e de guarnições em pontos de fronteira.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Infantaria, cavalaria, carros e elefantes no exército máuria
Relatos gregos sobre a corte máuria descrevem um exército permanente de grande porte, dividido em infantaria, cavalaria, carros e elefantes de guerra, com cifras que a crítica moderna considera infladas e reduz para algo entre duzentos e quatrocentos mil homens em mobilização máxima. O elefante tornou-se peça central da guerra no subcontinente e foi item de negociação diplomática com os selêucidas. Para a fase do Indo não há muralhas claramente defensivas, armamento padronizado nem cenas de batalha, ausência que alimenta discussão sobre a frequência do conflito armado.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Contabilidade de templo e palácio, com cevada e prata como padrão
A economia suméria foi registrada em escala minuciosa: tabuletas anotam entregas de cevada, lã, peixe, tâmara e óleo, rações de trabalhadores, rebanhos e a produção de oficinas de tecelagem que ocupavam centenas de pessoas. Cevada e prata funcionavam como unidades de conta e meios de pagamento, com equivalências fixadas em textos administrativos e jurídicos, muito antes da existência de moeda cunhada. Templo e palácio não absorviam tudo: contratos de venda de campos, empréstimos e sociedades comerciais indicam iniciativa familiar operando ao lado das grandes casas.
Excedente agrário tributado, corporações shreni e moeda punçoada
Na fase do Indo, a economia articulava agricultura, pastoreio, artesanato especializado e troca de longa distância, com pesos cúbicos de padrão comum encontrados em sítios distantes entre si. A partir do primeiro milênio a.C., o excedente agrário da planície do Ganges sustentou cidades, exércitos e uma tributação regular, e passaram a circular moedas de prata e cobre marcadas por punção. Nos períodos Máuria e Gupta, corporações de artesãos e comerciantes, chamadas shreni, regulavam preços, aprendizado e crédito, e recebiam depósitos destinados a manter mosteiros e templos.
Irrigação por canais, cevada tolerante a sal e arado de tração animal
Com chuva insuficiente, o cultivo dependia inteiramente de canais derivados do Eufrates, com diques, comportas e bacias que exigiam manutenção coletiva e provocavam disputas por água entre cidades vizinhas, como o litígio prolongado entre Lagash e Umma. A cevada predominou sobre o trigo por tolerar melhor a salinidade do solo, agravada pela irrigação contínua e pela evaporação intensa. Arados de tração animal, semeadeiras e textos de instrução agrícola, entre eles o chamado almanaque do lavrador, registram práticas de aração, sulco e rega em sequência calculada.
Trigo e cevada no Indo; arroz alagado na planície do Ganges
Nos sítios do Indo predominavam trigo, cevada, ervilha, gergelim e algodão, com indícios de cultivo de arroz em algumas áreas e uso intenso de gado bovino e de búfalo. A ocupação da planície do Ganges, no primeiro milênio a.C., apoiou-se na abertura de floresta com ferramentas de ferro e no arroz cultivado em campos alagados, capaz de sustentar densidades bem maiores. Reservatórios, poços escalonados e canais aparecem desde cedo, e uma inscrição relativa ao lago Sudarshana, no Gujarate, documenta a manutenção de uma barragem por governos sucessivos ao longo de séculos.
Cobre, madeira e lápis-lazúli obtidos via Dilmun, Magã e Zagros
A ausência de matérias-primas locais tornou o intercâmbio de longa distância estruturante: cobre de Magã, na região de Omã, madeira e pedra dos montes Zagros, estanho e lápis-lazúli trazidos de muito longe por rotas intermediárias, e mercadorias que passavam por Dilmun, o atual Barein. Em troca saíam tecidos de lã, óleo e cereais, resultado do excedente das oficinas urbanas. Selos, pesos e contas encontrados dos dois lados atestam contato com Meluhá, identificada pela maior parte dos pesquisadores com a região do vale do Indo.
Selos do Indo na Mesopotâmia e navegação de monção até o mar Vermelho
Selos e contas de cornalina de tipo indiano aparecem em sítios mesopotâmicos, e textos cuneiformes mencionam trocas com uma região chamada Meluhha, em geral identificada com o Indo. Em época posterior, rotas terrestres ligaram o noroeste à Ásia Central e ao mundo iraniano. Do século I d.C. em diante, o domínio do regime de ventos de monção permitiu travessias diretas entre portos indianos e o mar Vermelho, movimento descrito num roteiro de navegação grego e confirmado por achados de moedas romanas no sul da Índia e por escavações em entrepostos da costa.
Cuneiforme nascido do registro contábil, em argila e cálamo de junco
As tabuletas mais antigas de Uruk, de cerca de 3300 a.C., não trazem literatura nem decretos, mas listas de bens, quantidades e responsáveis: a escrita nasceu como técnica de controle administrativo, herdeira de fichas de argila e de selos usados antes dela. Os sinais, de início pictográficos, passaram a ser traçados em cunhas com cálamo de junco sobre argila úmida, perdendo semelhança com os objetos representados e ganhando valores silábicos. O sumério, língua sem parentesco conhecido, continuou a ser copiado nas escolas por escribas de língua acádia durante séculos depois de deixar de ser falado.
Escrita do Indo ainda não lida; brahmi e kharosthi a partir de Ashoka
Os sinais gravados em selos e placas do Indo formam sequências curtas, quase sempre com menos de dez caracteres, e nenhum texto bilíngue foi encontrado até hoje. Sem esse apoio e sem certeza sobre a língua registrada, as propostas de leitura não puderam ser verificadas, e há inclusive quem defenda que o sistema não notava uma língua completa; o debate segue aberto e é uma questão técnica, com critérios definidos de prova. Séculos depois, os editos de Ashoka aparecem em brahmi e, no noroeste, em kharosthi, escritas que estão na base de boa parte dos alfabetos do sul e do sudeste asiático.
Deuses de cidade, com Enlil em Nipur, Inana em Uruk e Enki em Eridu
Cada cidade tinha um deus tutelar cuja casa era o templo principal e cujo patrimônio de terras e rebanhos sustentava boa parte da economia urbana: An e Inana em Uruk, Enlil em Nipur, Nanna em Ur, Enki em Eridu, Ningirsu em Girsu. O culto consistia em alimentar, vestir e conduzir a estátua divina em festas de calendário, tarefas a cargo de pessoal especializado e financiadas pelo domínio do santuário. A literatura religiosa preservada em cópias posteriores inclui hinos de templo, lamentos pela destruição de cidades e narrativas sobre o dilúvio e sobre a descida de Inana ao mundo dos mortos.
Ritual védico, correntes ascéticas e formação do budismo e do jainismo
Os hinos do Rigveda, transmitidos oralmente com técnicas de memorização muito rigorosas antes de qualquer registro escrito, giram em torno do sacrifício ao fogo e de divindades como Indra, Agni e Varuna. Entre os séculos VI e IV a.C. difundiram-se correntes ascéticas que questionavam a eficácia do sacrifício, entre elas o budismo e o jainismo, que obtiveram apoio de reis e de comunidades urbanas. Ashoka fez do dharma budista um programa público sem suprimir outros cultos. No período Gupta consolidaram-se templos e a devoção a Vishnu, Shiva e às deusas, base das tradições hindus posteriores.
Estatuária votiva de olhos incrustados e glíptica de selo cilíndrico
A produção mais característica inclui estátuas votivas de orantes em gesso e calcário, com mãos unidas e olhos ampliados por incrustação de concha e betume, depositadas nos templos para representar o doador em oração permanente. O selo cilíndrico, rolado sobre argila, sustentou uma arte em miniatura de grande densidade narrativa, com cenas de banquete, combate animal e apresentação a divindades. Objetos das tumbas reais de Ur, como a lira com cabeça de touro e os painéis incrustados, mostram domínio da marchetaria em madrepérola, lápis-lazúli e ouro sobre betume.
Selos gravados, capitel de leões de Sarnath e escultura de Mathura
Do Indo vieram selos de esteatita com animais finamente gravados, figurinhas de terracota e peças de bronze fundido pelo método da cera perdida, entre elas a pequena estatueta conhecida como dançarina. Os pilares máurias terminam em capitéis polidos, como o de Sarnath, com quatro leões sobre uma roda e animais em relevo. Nos séculos seguintes, as oficinas de Mathura e de Gandara fixaram formas de representar o Buda, a segunda em diálogo com modelos helenísticos. As pinturas murais de Ajanta, do período Gupta, mostram cenas de corte e narrativas budistas.
Contagem sexagesimal, metrologia de área e listas lexicais escolares
Os escribas sumérios consolidaram uma contagem de base sessenta combinada a agrupamentos de dez, que permitia frações cômodas e se transmitiu à matemática mesopotâmica posterior. Havia unidades padronizadas de área, volume e peso aplicadas a campos, celeiros e metais, além de tabelas de conversão usadas na medição de terrenos e no cálculo de rações. Listas lexicais que organizavam palavras por tema, como árvores, animais, profissões e recipientes, funcionavam como material de ensino e como primeira forma de sistematização do conhecimento por categorias.
Gramática de Panini, astronomia de Aryabhata e contagem por posição
A gramática do sânscrito composta por Panini, por volta do século IV a.C., descreve a língua por meio de regras encadeadas com um rigor que ainda hoje é estudado por linguistas. Na matemática e na astronomia, o Aryabhatiya, de 499 d.C., trata de raízes, séries, movimento planetário e rotação da Terra, apoiado em contagem decimal por posição. A formulação do zero como número, com regras próprias de operação, aparece no tratado de Brahmagupta de 628 d.C., já fora do recorte desta ficha; um ponto usado como marcador de casa vazia consta do manuscrito de Bakhshali, cuja datação continua discutida.
Tijolo cru, terraço de templo e ziggurat escalonado de Ur
Sem pedra disponível na planície, a construção suméria apoiou-se no tijolo de barro moldado e secado ao sol, com tijolo cozido e betume nas partes expostas à água. Templos eram reconstruídos sucessivamente sobre as ruínas dos anteriores, prática que criou elevações artificiais e culminou, no Terceiro Período de Ur, no ziggurat: massa escalonada de tijolo com escadarias frontais e santuário no alto. As paredes recebiam nichos e contrafortes que produziam jogo de luz e sombra e, em Uruk, mosaicos formados por cones de argila colorida encaixados no reboco.
Tijolo de proporção fixa no Indo; estupas e salas escavadas na rocha
As cidades do Indo foram construídas com tijolos cozidos de proporção constante, próxima de um por dois por quatro, assentados sobre plataformas e servidos por canaletas e poços; o chamado grande banho de Mohenjo-daro é um tanque impermeabilizado com betume. Da fase máuria em diante, o repertório monumental passa a ser dominado por estupas hemisféricas com balaustrada e portais esculpidos, como em Sanchi, e por salas de culto escavadas na rocha, como em Bhaja e mais tarde em Ajanta. No período Gupta surgem os primeiros templos de pedra com câmara central e cobertura de laje.
Roda de oleiro e de carro, bronze estanhado e molde padronizado
As oficinas sumérias trabalhavam cobre e depois bronze estanhado por fundição e martelagem, produziam cerâmica em roda rápida e teciam lã em quantidade suficiente para abastecer o comércio de longa distância. A roda aparece em veículos de quatro rodas maciças representados em placas e em carros depositados nas tumbas de Ur, com uso sobretudo cerimonial e de carga. Barcos de junco calafetados com betume, arados de madeira, moldes padronizados de tijolo e comportas para regular o fluxo dos canais compõem o repertório técnico documentado por textos e achados.
Saneamento urbano no Indo, aço em cadinho e o pilar de ferro de Delhi
Mohenjo-daro dispunha de banheiros domésticos ligados a canaletas cobertas ao longo das ruas, com poços de decantação, um dos sistemas de saneamento urbano mais bem documentados do terceiro milênio a.C. A metalurgia trabalhou cobre e bronze e, mais tarde, ferro em grande escala; oficinas do sul produziram aço em cadinho, exportado e apreciado em outras regiões. O pilar de ferro erguido em Delhi no período Gupta, com cerca de seis toneladas, resiste à corrosão graças a uma camada superficial formada pelo fósforo presente no metal, resultado das técnicas de forja empregadas.
Cidade murada, cuneiforme, rede de canais e as leis de Ur-Nammu
Entre os resultados duráveis estão a formação de grandes aglomerados murados com instituições próprias, a criação do cuneiforme e da escola de escribas, e a construção de redes de canais que sustentaram densidades altas de população em terra sem chuva. No campo normativo, as reformas atribuídas a Urukagina em Lagash e as leis de Ur-Nammu, com indenizações fixadas em prata para casos definidos, estão entre os textos jurídicos mais antigos conhecidos. As inscrições e as estátuas de diorito de Gudea de Lagash documentam um programa de construção de templos com detalhe raro para o terceiro milênio.
Urbanismo planejado do Indo, editos de Ashoka e cálculo posicional
Entre os resultados mais citados estão o planejamento urbano com padronização de medidas e saneamento no vale do Indo, a difusão de uma linguagem política pública nos editos de Ashoka, gravados em várias línguas e escritas ao longo de todo o império, e a consolidação da notação decimal por posição, retomada depois no mundo islâmico e na Europa. Somam-se a produção têxtil de algodão, exportada por séculos, a arquitetura escavada na rocha e uma tradição de análise gramatical e lógica desenvolvida em escolas de debate.
Queda de Ur diante dos elamitas e absorção por Isin, Larsa e Babilônia
O Terceiro Período de Ur ruiu por volta de 2004 a.C. sob pressão combinada de grupos amoritas, perda de controle sobre as províncias e um ataque elamita que levou o rei Ibi-Sin cativo, episódio lembrado em lamentos compostos mais tarde. As cidades do sul passaram ao domínio de Isin e de Larsa e, em 1763 a.C., à Babilônia de Hamurabi, num deslocamento do centro político para o norte da planície. A salinização de solos irrigados e a mudança de cursos fluviais contribuíram para o esvaziamento de sítios do extremo sul, embora o peso relativo desses fatores siga em discussão.
Esvaziamento das cidades do Indo e enfraquecimento Gupta no século VI
Entre 1900 e 1300 a.C., as grandes cidades do Indo foram sendo esvaziadas, com perda de padronização, redução da escala urbana e deslocamento da ocupação para leste; as explicações em discussão combinam mudança no regime de monções, alteração no curso de rios e reorganização das redes de troca, sem que uma invasão dê conta do processo. Muito depois, o império Máuria fragmentou-se poucas décadas após Ashoka, e o poder Gupta enfraqueceu no século VI d.C. sob pressão de grupos hunas e de governadores provinciais que se tornaram autônomos.
Base da tradição escrita mesopotâmica e do currículo cuneiforme
O sumério permaneceu como língua de culto e de escola por mais de mil anos depois de deixar de ser falado, e seus hinos, provérbios e listas formaram o currículo em que se treinaram escribas babilônios e assírios. Estruturas criadas em Sumer, como a cidade com templo central, o arquivo administrativo, o direito posto por escrito e a contagem sexagesimal aplicada a tempo e a ângulo, foram transmitidas às sociedades seguintes da região. O reconhecimento dessa camada é recente: só na segunda metade do século XIX se admitiu a existência de uma língua anterior ao acádio, a partir de tabuletas bilíngues.
Difusão do budismo pela Ásia e circulação da notação decimal
O budismo saiu do subcontinente por rotas terrestres e marítimas e tornou-se referência religiosa e artística no Sri Lanka, na Ásia Central, na China, na Coreia, no Japão e no sudeste asiático, levando consigo formas arquitetônicas e um repertório de imagens. A notação decimal por posição chegou ao Mediterrâneo por intermédio de matemáticos de língua árabe e passou a ser usada na Europa a partir do fim da Idade Média. Textos, técnicas têxteis e produtos como algodão, pimenta e aço circularam por rotas que ligavam o subcontinente ao oceano Índico.
Esta combinação foi montada a partir das duas fichas e ainda não recebeu texto de contexto próprio. As comparações com introdução, contexto e considerações finais estão reunidas em comparações recomendadas.
Os dois estados enfrentaram um problema semelhante em escala continental: governar populações com línguas, cultos e economias distintas sem dissolver as diferenças locais. As…
Ler a comparação → Suméria e GréciaSeparadas por mais de dois milênios e por meio continente, as duas sociedades organizaram a vida política em cidades autônomas que competiam entre si e resistiram à unificação…
Ler a comparação → Egito e MesopotâmiaAs duas sociedades nasceram da agricultura de rio e ficaram associadas, na história do ensino, à mesma expressão: berço da civilização. A comparação mostra que rios diferentes…
Ler a comparação →