China Antiga
Sequência de dinastias formadas nas bacias do rio Amarelo e do Yangtzé, que passou de reinos rituais em bronze a um estado unificado com escrita padronizada, funcionalismo…
Comparação montada a partir do acervo. As duas fichas seguem a mesma pauta de 21 características, preenchidas e revisadas separadamente.
Sequência de dinastias formadas nas bacias do rio Amarelo e do Yangtzé, que passou de reinos rituais em bronze a um estado unificado com escrita padronizada, funcionalismo…
Conjunto de formações do subcontinente reunido em três momentos de evidência distinta: as cidades planejadas do vale do Indo, o período védico conhecido por textos transmitidos…
China: Ásia
Índia: Ásia
Classificações próximasChina: Segundo milênio a.C.
Índia: Quarto e terceiro milênios a.C.
Classificações distintasChina: Império centralizado
Índia: Monarquia territorial
Classificações distintasChina: cerca de 6.000.000 km²
Índia: cerca de 5.000.000 km²
Classificações próximasOs dois recortes convivem por aproximadamente 1.820 anos, o que permite falar de contemporaneidade parcial.
Recortes sobrepostosDe Erlitou e dos Shang até a queda dos Han, em dezoito séculos
O recorte vai do segundo milênio a.C., com os sítios associados à cultura de Erlitou e à dinastia Shang, até a queda dos Han em 220 d.C. A existência de uma dinastia Xia anterior aparece em textos redigidos mais de mil anos depois dos fatos; o sítio de Erlitou, no vale do rio Amarelo, é candidato natural a essa fase, mas nenhuma inscrição contemporânea confirma o nome, e a identificação segue disputada. As datas anteriores a 841 a.C., primeiro ano de contagem contínua nos registros, dependem de reconstituição e variam entre as propostas em circulação.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Três fases distintas: Indo, período védico e impérios Máuria e Gupta
Esta ficha cobre cerca de três milênios e reúne fases cuja documentação é de natureza muito diferente. A civilização do vale do Indo, madura entre 2600 e 1900 a.C., é conhecida quase só por vestígios materiais, já que sua escrita não foi lida. O período védico, entre cerca de 1500 e 600 a.C., apoia-se em textos transmitidos oralmente por séculos antes de serem postos por escrito, o que impede datar acontecimentos com segurança. Os impérios Máuria, a partir de 321 a.C., e Gupta, entre os séculos IV e VI d.C., já contam com inscrições datadas, moedas e relatos de viajantes.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Bacias do rio Amarelo e do Yangtzé, entre a estepe e o litoral
O núcleo inicial situa-se na planície do curso médio e baixo do rio Amarelo, região de solo de loess fácil de trabalhar, com expansão posterior para a bacia do Yangtzé, para a bacia de Sichuan e para o sul subtropical. A oeste e ao norte, estepes e desertos marcavam a fronteira com confederações de criadores de cavalos, relação de conflito e de troca que orientou boa parte da política externa. O corredor de Gansu abria passagem para a Ásia Central e serviu de eixo às rotas terrestres de longa distância.
Bacias do Indo e do Ganges, entre o Himalaia e o planalto do Decã
O espaço tratado abrange o subcontinente indiano, do Himalaia ao sul peninsular. As cidades do Indo concentraram-se no noroeste, no atual Paquistão e no oeste da Índia, ao longo do rio Indo e de leitos hoje secos associados ao antigo curso do Ghaggar-Hakra. O eixo de poder deslocou-se depois para a planície do Ganges, onde se formaram os reinos do período seguinte e onde ficava Pataliputra. O planalto do Decã e a costa sul mantiveram trajetórias próprias, com reinos e portos voltados ao comércio marítimo.
Cerca de 6 milhões de km² sob os Han, com fronteiras móveis
Os cálculos de maior alcance territorial apontam algo próximo de 6 milhões de quilômetros quadrados no auge dos Han ocidentais, incluindo o corredor de Gansu e guarnições avançadas na bacia do Tarim, cujo controle era intermitente. Os domínios Shang, mais de mil anos antes, não passavam de uma fração disso, concentrados em torno do médio rio Amarelo. Números desse tipo dependem de decidir se áreas de protetorado, de tributo ou de simples presença militar entram na conta, e por isso variam bastante de um autor para outro.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Cerca de 5 milhões de km² no auge máuria, com controle desigual
As cifras de maior extensão referem-se ao império Máuria sob Ashoka, no século III a.C., e chegam a cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados, cobrindo boa parte do subcontinente e o atual Afeganistão oriental. O controle era desigual: áreas de floresta e regiões periféricas ficavam fora da administração direta, e os próprios editos distinguem territórios sob governo do rei de povos vizinhos apenas influenciados. A área ocupada pela civilização do Indo, cerca de mil anos antes, é calculada de modo independente e costuma ser situada entre 800 mil e 1,2 milhão de quilômetros quadrados.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Anyang e Erlitou no início; Xianyang, Chang'an e Luoyang depois
Erlitou apresenta recintos palacianos e oficinas de fundição já no início do segundo milênio a.C. Anyang, última capital Shang, forneceu tumbas reais, fundições de bronze e dezenas de milhares de ossos inscritos. Xianyang foi a sede dos Qin, e Chang'an e Luoyang concentraram a corte Han, com muralhas de terra socada, mercados regulados e bairros fechados por muros. As estimativas para Chang'an no início da era comum situam sua população entre duzentos e quatrocentos mil habitantes, conforme se contem ou não os arredores.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Mohenjo-daro e Harappa no Indo; Pataliputra e Taxila depois
Mohenjo-daro e Harappa, com áreas construídas superiores a cem hectares, eram os maiores assentamentos do Indo, ao lado de Dholavira, Rakhigarhi e do sítio portuário de Lothal. Séculos mais tarde, o centro político passou a Pataliputra, capital máuria às margens do Ganges, descrita por embaixadores gregos como cidade cercada de paliçada e fosso. Taxila, no noroeste, funcionou como entreposto e polo de ensino, e Ujjain como nó de rotas interiores. As estimativas de população para Mohenjo-daro variam entre vinte e quarenta mil habitantes, conforme o critério de densidade adotado.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Do mandato celeste e da vassalagem Zhou ao estado de comandarias Han
Os Shang combinavam realeza e função ritual, com o rei consultando os ancestrais por adivinhação. Os Zhou justificaram a tomada do poder pela noção de mandato celeste, segundo a qual a autoridade é concedida ao governante enquanto ele cumpre seus deveres e pode ser retirada, e distribuíram territórios a parentes e aliados, arranjo que se desfez em séculos de guerra entre estados. Os Qin substituíram a nobreza territorial por comandarias e distritos com funcionários nomeados, e os Han mantiveram essa estrutura, combinando-a com principados concedidos à família imperial.
Sem indício de rei no Indo; monarquias e assembleias de linhagem depois
Para a fase do Indo não há palácios, tumbas reais ou imagens de soberano que permitam identificar uma monarquia, e as propostas variam entre conselhos de elites urbanas e chefias locais articuladas, sem que nenhuma se imponha. No primeiro milênio a.C., a planície do Ganges abrigou tanto monarquias hereditárias quanto comunidades governadas por assembleias de linhagens aristocráticas. Com os Máurias formou-se uma administração centralizada, com ministros, inspetores e províncias entregues a príncipes; os Guptas, mais tarde, governaram por rede de reinos subordinados e alianças matrimoniais.
Famílias camponesas em cadastro, elite letrada e serviço devido ao estado
A base era formada por famílias camponesas responsáveis por imposto em grão e tecido, trabalho compulsório em obras públicas e serviço militar por períodos definidos, tudo anotado em cadastros domiciliares muito detalhados. Acima delas consolidou-se, sob os Han, uma elite de proprietários e funcionários apoiada na formação em textos clássicos e em redes locais de recomendação. Comerciantes acumulavam recursos, mas eram alvo de restrições legais e de desconfiança nos escritos oficiais, e o parentesco patrilinear organizava herança, culto aos ancestrais e obrigação recíproca.
Ordens rituais varna e grupos de nascimento jati, com prática variável
Os textos védicos apresentam a sociedade dividida em quatro ordens rituais, os varna, com brâmanes, guerreiros, produtores e servidores, além de grupos mantidos à margem desse esquema. Trata-se de um modelo normativo elaborado por autores brâmanes: inscrições, registros de doação e textos budistas mostram situações concretas bem mais fluidas, com mobilidade de ocupação e peso das comunidades de nascimento e ofício chamadas jati. Na fase do Indo, a ausência de tumbas muito ricas ou de residências claramente palacianas sugere diferenças de riqueza menos marcadas na paisagem construída.
Recrutamento por cadastro, besta de gatilho e cavalaria de fronteira
Os estados do período dos Reinos Combatentes passaram de hostes aristocráticas em carros para exércitos de infantaria recrutada em massa, mobilizados a partir de cadastros de população. A besta com mecanismo de gatilho em bronze, produzida em série com peças intercambiáveis, tornou-se arma característica, ao lado da lança e da armadura de lamelas. Contra as confederações da estepe, os Han investiram em cavalaria, em colônias militares agrícolas na fronteira e em linhas de torres de sinal, cujo funcionamento é conhecido por documentos administrativos achados em postos do noroeste.
Infantaria, cavalaria, carros e elefantes no exército máuria
Relatos gregos sobre a corte máuria descrevem um exército permanente de grande porte, dividido em infantaria, cavalaria, carros e elefantes de guerra, com cifras que a crítica moderna considera infladas e reduz para algo entre duzentos e quatrocentos mil homens em mobilização máxima. O elefante tornou-se peça central da guerra no subcontinente e foi item de negociação diplomática com os selêucidas. Para a fase do Indo não há muralhas claramente defensivas, armamento padronizado nem cenas de batalha, ausência que alimenta discussão sobre a frequência do conflito armado.
Valores aproximados, reconstituídos a partir de evidências parciais.Imposto em grão e tecido, monopólios de sal e ferro, moeda de bronze
A receita vinha do imposto sobre a terra, de taxas por pessoa e do trabalho devido ao estado, complementados por monopólios estatais sobre sal e ferro instituídos no século II a.C., medida debatida na corte em um registro de discussão que chegou até nós. Circulava moeda de bronze fundida com furo central, emitida em quantidades enormes, e o estado mantinha celeiros para regular preços em anos de má colheita. A seda funcionava ao mesmo tempo como mercadoria, meio de pagamento e presente diplomático nas relações com povos da estepe.
Excedente agrário tributado, corporações shreni e moeda punçoada
Na fase do Indo, a economia articulava agricultura, pastoreio, artesanato especializado e troca de longa distância, com pesos cúbicos de padrão comum encontrados em sítios distantes entre si. A partir do primeiro milênio a.C., o excedente agrário da planície do Ganges sustentou cidades, exércitos e uma tributação regular, e passaram a circular moedas de prata e cobre marcadas por punção. Nos períodos Máuria e Gupta, corporações de artesãos e comerciantes, chamadas shreni, regulavam preços, aprendizado e crédito, e recebiam depósitos destinados a manter mosteiros e templos.
Painço no norte, arroz no sul, arado de aiveca e semeadura em sulcos
No norte cultivavam-se painços resistentes à seca e, depois, trigo, em solos de loess trabalhados com arado de tração animal; no sul predominou o arroz irrigado, com campos alagados e transplante de mudas. Sob os Han difundiram-se o arado com relha de ferro e aiveca curva, que revolve a leiva com menor esforço, a semeadura alinhada em sulcos e a semeadeira de tubos, técnicas descritas em tratados agrícolas e visíveis em tijolos decorados de tumba. Grandes obras hidráulicas, como o sistema de Dujiangyan, iniciado no século III a.C., dividem o fluxo dos rios sem represá-los.
Trigo e cevada no Indo; arroz alagado na planície do Ganges
Nos sítios do Indo predominavam trigo, cevada, ervilha, gergelim e algodão, com indícios de cultivo de arroz em algumas áreas e uso intenso de gado bovino e de búfalo. A ocupação da planície do Ganges, no primeiro milênio a.C., apoiou-se na abertura de floresta com ferramentas de ferro e no arroz cultivado em campos alagados, capaz de sustentar densidades bem maiores. Reservatórios, poços escalonados e canais aparecem desde cedo, e uma inscrição relativa ao lago Sudarshana, no Gujarate, documenta a manutenção de uma barragem por governos sucessivos ao longo de séculos.
Rotas de seda pelo corredor de Gansu e navegação costeira ao sul
As missões de Zhang Qian à Ásia Central, no século II a.C., abriram contato regular com reinos a oeste e deram origem ao conjunto de caminhos hoje chamado Rota da Seda, percorrido por etapas e por intermediários, e não por caravanas que fizessem todo o trajeto. Seda, laca e ferro seguiam para oeste; cavalos, jade, vidro, lã e produtos aromáticos vinham em sentido contrário. No sul, portos ligavam-se ao sudeste asiático e ao oceano Índico, e uma embaixada apresentada como vinda do império romano foi registrada em crônicas chinesas em 166 d.C.
Selos do Indo na Mesopotâmia e navegação de monção até o mar Vermelho
Selos e contas de cornalina de tipo indiano aparecem em sítios mesopotâmicos, e textos cuneiformes mencionam trocas com uma região chamada Meluhha, em geral identificada com o Indo. Em época posterior, rotas terrestres ligaram o noroeste à Ásia Central e ao mundo iraniano. Do século I d.C. em diante, o domínio do regime de ventos de monção permitiu travessias diretas entre portos indianos e o mar Vermelho, movimento descrito num roteiro de navegação grego e confirmado por achados de moedas romanas no sul da Índia e por escavações em entrepostos da costa.
Dos ossos oraculares Shang ao traçado padronizado pelos Qin
Os registros mais antigos são inscrições em omoplatas de boi e cascos de tartaruga usados em adivinhação em Anyang, a partir de cerca de 1250 a.C., já com um sistema plenamente formado de milhares de sinais. O mesmo repertório aparece fundido em vasos de bronze com textos comemorativos. Sob os Qin, a variedade regional de formas foi reduzida a um padrão oficial e, sob os Han, fixou-se o traçado que está na base da escrita usada depois. Os textos circulavam em tiras de bambu e madeira atadas em rolo, além de seda, antes da difusão do papel.
Escrita do Indo ainda não lida; brahmi e kharosthi a partir de Ashoka
Os sinais gravados em selos e placas do Indo formam sequências curtas, quase sempre com menos de dez caracteres, e nenhum texto bilíngue foi encontrado até hoje. Sem esse apoio e sem certeza sobre a língua registrada, as propostas de leitura não puderam ser verificadas, e há inclusive quem defenda que o sistema não notava uma língua completa; o debate segue aberto e é uma questão técnica, com critérios definidos de prova. Séculos depois, os editos de Ashoka aparecem em brahmi e, no noroeste, em kharosthi, escritas que estão na base de boa parte dos alfabetos do sul e do sudeste asiático.
Culto aos ancestrais, adivinhação e as vias confuciana, daoísta e legista
O culto aos ancestrais, com oferendas regulares e consulta oracular, foi o eixo mais estável das práticas religiosas, articulado à autoridade familiar e política. Os Shang dirigiam-se a uma divindade superior e a espíritos de rios e montanhas; sob os Zhou ganhou destaque a noção de Céu como instância que legitima o governo. O confucionismo propôs uma ordem baseada em ritual, reciprocidade e obrigação hierárquica; o daoísmo, a adequação ao curso espontâneo das coisas; o legismo, um governo por lei uniforme, prêmio e punição calculados. Os três circularam como projetos concorrentes de governo antes de virarem rótulos escolares.
Ritual védico, correntes ascéticas e formação do budismo e do jainismo
Os hinos do Rigveda, transmitidos oralmente com técnicas de memorização muito rigorosas antes de qualquer registro escrito, giram em torno do sacrifício ao fogo e de divindades como Indra, Agni e Varuna. Entre os séculos VI e IV a.C. difundiram-se correntes ascéticas que questionavam a eficácia do sacrifício, entre elas o budismo e o jainismo, que obtiveram apoio de reis e de comunidades urbanas. Ashoka fez do dharma budista um programa público sem suprimir outros cultos. No período Gupta consolidaram-se templos e a devoção a Vishnu, Shiva e às deusas, base das tradições hindus posteriores.
Bronzes rituais de máscara taotie, jade abrasivo e laca pintada Han
Os vasos de bronze Shang e Zhou combinam volumes robustos e superfícies cobertas por máscaras animais, hoje chamadas taotie, e por espirais em relevo, com inscrições que registram doações e feitos. O jade foi trabalhado por abrasão desde antes do bronze, em discos, machados e adornos de forte carga ritual. Sob os Han difundiram-se a laca pintada, os tijolos e relevos de tumba com cenas de banquete, caça e trabalho, e as figuras de cerâmica que acompanhavam o morto, das quais o exército de terracota do primeiro imperador é o exemplo de maior escala.
Selos gravados, capitel de leões de Sarnath e escultura de Mathura
Do Indo vieram selos de esteatita com animais finamente gravados, figurinhas de terracota e peças de bronze fundido pelo método da cera perdida, entre elas a pequena estatueta conhecida como dançarina. Os pilares máurias terminam em capitéis polidos, como o de Sarnath, com quatro leões sobre uma roda e animais em relevo. Nos séculos seguintes, as oficinas de Mathura e de Gandara fixaram formas de representar o Buda, a segunda em diálogo com modelos helenísticos. As pinturas murais de Ajanta, do período Gupta, mostram cenas de corte e narrativas budistas.
Registro de eclipses e cometas, calendário oficial e cálculo em nove capítulos
Astrônomos da corte mantinham observação sistemática de eclipses, cometas e estrelas novas, produzindo uma das séries mais longas de registros celestes conhecidas, ainda hoje consultada em estudos de história da astronomia. O calendário lunissolar era assunto de estado, revisado por decreto. Na matemática, os Nove Capítulos sobre a Arte Matemática, compilados no período Han, reúnem procedimentos para áreas, proporções, sistemas de equações e extração de raízes. Zhang Heng apresentou em 132 d.C. um aparelho destinado a indicar a direção de tremores distantes, cujo mecanismo interno continua sendo objeto de reconstituições.
Gramática de Panini, astronomia de Aryabhata e contagem por posição
A gramática do sânscrito composta por Panini, por volta do século IV a.C., descreve a língua por meio de regras encadeadas com um rigor que ainda hoje é estudado por linguistas. Na matemática e na astronomia, o Aryabhatiya, de 499 d.C., trata de raízes, séries, movimento planetário e rotação da Terra, apoiado em contagem decimal por posição. A formulação do zero como número, com regras próprias de operação, aparece no tratado de Brahmagupta de 628 d.C., já fora do recorte desta ficha; um ponto usado como marcador de casa vazia consta do manuscrito de Bakhshali, cuja datação continua discutida.
Esqueleto de madeira sobre plataforma de terra socada e muralha urbana
A construção usava esqueleto de madeira com pilares e vigas, apoiado em plataforma de terra socada e coberto por telhado de grande beiral, técnica que permitia paredes sem função de suporte e vãos amplos. As cidades eram cercadas por muralhas de terra compactada em camadas, com traçado ortogonal e portas orientadas. Tumbas de elite reproduziam ambientes domésticos, com câmaras, mobiliário e ajuar. As chamadas grandes muralhas do norte não formam uma obra única: são conjuntos de barreiras, torres e fortes erguidos por estados diferentes em épocas distintas, e a estrutura de tijolo hoje mais conhecida é bem posterior a este período.
Tijolo de proporção fixa no Indo; estupas e salas escavadas na rocha
As cidades do Indo foram construídas com tijolos cozidos de proporção constante, próxima de um por dois por quatro, assentados sobre plataformas e servidos por canaletas e poços; o chamado grande banho de Mohenjo-daro é um tanque impermeabilizado com betume. Da fase máuria em diante, o repertório monumental passa a ser dominado por estupas hemisféricas com balaustrada e portais esculpidos, como em Sanchi, e por salas de culto escavadas na rocha, como em Bhaja e mais tarde em Ajanta. No período Gupta surgem os primeiros templos de pedra com câmara central e cobertura de laje.
Molde seccionado de argila, ferro fundido, papel e arreio de peito
A fundição do bronze foi feita em moldes seccionados de argila, e não pelo método da cera perdida, o que explica os perfis nítidos e a decoração em relevo dos vasos rituais. Desde o período dos Reinos Combatentes produzia-se ferro fundido em fornos de alta temperatura, e sob os Han desenvolveram-se processos de descarbonetação capazes de gerar aço em escala. O papel de fibras vegetais, cujo aperfeiçoamento é atribuído a Cai Lun em 105 d.C., aparece em fragmentos anteriores a essa data. O arreio de peito, apoiado no esterno do animal, ampliou muito a carga que um cavalo podia puxar.
Saneamento urbano no Indo, aço em cadinho e o pilar de ferro de Delhi
Mohenjo-daro dispunha de banheiros domésticos ligados a canaletas cobertas ao longo das ruas, com poços de decantação, um dos sistemas de saneamento urbano mais bem documentados do terceiro milênio a.C. A metalurgia trabalhou cobre e bronze e, mais tarde, ferro em grande escala; oficinas do sul produziram aço em cadinho, exportado e apreciado em outras regiões. O pilar de ferro erguido em Delhi no período Gupta, com cerca de seis toneladas, resiste à corrosão graças a uma camada superficial formada pelo fósforo presente no metal, resultado das técnicas de forja empregadas.
Padronização de pesos, medidas e escrita, com burocracia documentada
A padronização de pesos, medidas, bitola de eixo de carro e formas gráficas sob os Qin criou condições para administrar um território muito extenso, e os Han consolidaram um funcionalismo recrutado por recomendação e avaliado por provas escritas, forma incipiente do exame que séculos mais tarde se tornaria sistema regular. Somam-se obras hidráulicas de longa duração, como Dujiangyan, ainda em operação, a produção de papel, o aço obtido em forno, o aparelho de Zhang Heng e um acervo documental que permite reconstituir salários, penas e rotinas de posto de fronteira.
Urbanismo planejado do Indo, editos de Ashoka e cálculo posicional
Entre os resultados mais citados estão o planejamento urbano com padronização de medidas e saneamento no vale do Indo, a difusão de uma linguagem política pública nos editos de Ashoka, gravados em várias línguas e escritas ao longo de todo o império, e a consolidação da notação decimal por posição, retomada depois no mundo islâmico e na Europa. Somam-se a produção têxtil de algodão, exportada por séculos, a arquitetura escavada na rocha e uma tradição de análise gramatical e lógica desenvolvida em escolas de debate.
Concentração de terras, revoltas populares e divisão em três reinos
A crise final dos Han combinou concentração de terras em grandes propriedades, evasão fiscal de camponeses que se tornavam dependentes, disputas entre facções da corte e generais de fronteira com tropas próprias. Revoltas de amplitude regional, entre elas a dos Turbantes Amarelos, em 184 d.C., desorganizaram províncias inteiras. Em 220 d.C. o último imperador abdicou e o território dividiu-se em três reinos, abrindo um período de fragmentação. Epidemias e deslocamentos de população registrados nas fontes agravaram o quadro, ainda que sua dimensão exata seja difícil de medir.
Esvaziamento das cidades do Indo e enfraquecimento Gupta no século VI
Entre 1900 e 1300 a.C., as grandes cidades do Indo foram sendo esvaziadas, com perda de padronização, redução da escala urbana e deslocamento da ocupação para leste; as explicações em discussão combinam mudança no regime de monções, alteração no curso de rios e reorganização das redes de troca, sem que uma invasão dê conta do processo. Muito depois, o império Máuria fragmentou-se poucas décadas após Ashoka, e o poder Gupta enfraqueceu no século VI d.C. sob pressão de grupos hunas e de governadores provinciais que se tornaram autônomos.
Escrita e organização por distritos adotadas na Ásia oriental
O conjunto formado por escrita, textos clássicos, calendário e organização em comandarias e distritos serviu de referência para os estados posteriores no próprio território e para a Coreia, o Japão e o Vietnã, que adotaram a escrita e parte do vocabulário político. Técnicas surgidas ou aperfeiçoadas no período, como o papel, a fundição de ferro em forno alto e o arreio de peito, difundiram-se por rotas terrestres e marítimas nos séculos seguintes. O debate entre as correntes confuciana, daoísta e legista permaneceu como quadro de referência para discutir governo.
Difusão do budismo pela Ásia e circulação da notação decimal
O budismo saiu do subcontinente por rotas terrestres e marítimas e tornou-se referência religiosa e artística no Sri Lanka, na Ásia Central, na China, na Coreia, no Japão e no sudeste asiático, levando consigo formas arquitetônicas e um repertório de imagens. A notação decimal por posição chegou ao Mediterrâneo por intermédio de matemáticos de língua árabe e passou a ser usada na Europa a partir do fim da Idade Média. Textos, técnicas têxteis e produtos como algodão, pimenta e aço circularam por rotas que ligavam o subcontinente ao oceano Índico.
Esta combinação foi montada a partir das duas fichas e ainda não recebeu texto de contexto próprio. As comparações com introdução, contexto e considerações finais estão reunidas em comparações recomendadas.
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